Com 250 mortes diárias em Gaza, conflito é o mais mortal do século
Com 250 mortes de palestinos por dia em Gaza, o conflito já se tornou o mais mortal do século 21. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 60% das mais de 27 mil mortes relatadas pelo Ministério da Saúde palestino são de mulheres e crianças. Mais de 66 mil feridos precisam de cuidados médicos e 17 mil crianças estão desacompanhadas no conflito.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 60% das mais de 27 mil mortes relatadas pelo Ministério da Saúde palestino são de mulheres e crianças. Mais de 66 mil feridos precisam de cuidados médicos e 17 mil crianças estão desacompanhadas no conflito.
Com 250 mortes de palestinos por dia em Gaza, o conflito já se tornou o mais mortal do século 21. “A escala das atrocidades que Israel está cometendo em Gaza são chocantes”, afirma Sally Abi Khalil, diretora da Oxfam para o Oriente Médio. “Nesses 100 dias, o povo de Gaza suportou um inferno. Nenhum lugar é seguro e toda a população corre risco de fome”.
Sally afirma ser “inimaginável” que a comunidade internacional apenas assista ao conflito e bloqueie continuamente os apelos para um cessar-fogo.
Segundo cálculos da Oxfam ,com base em dados disponíveis, a média diária de mortes em Gaza é maior do que qualquer outro conflito armado recente, incluindo a Síria (96,5 mortes por dia), o Sudão (51,6), Iraque (50,8), Ucrânia (43,9) Afeganistão (23,8) e Iémen (15,8).
A Oxfam alerta que as pessoas em Gaza estão tendo que viver em condições cada vez mais precárias, em espaços cada vez menores, devido aos constantes bombardeios por parte de Israel. Mais de um milhão de pessoas – mais de metade da população de Gaza – foram forçadas a procurar abrigo em Rafah, na fronteira egípcia. Segundo informações da equipe da Oxfam local, há uma superlotação no local, com pouca água e alimentação, e não há mais medicamentos essenciais.
A crise é agravada pelo fato de haver uma restrição à entrada de ajuda humanitária – a fronteira está fechada e apenas 10% da ajuda necessária tem entrado em Gaza.
Além das vítimas diretas da ação militar de Israel, há uma grande ameaça à vida de milhares de pessoas devido à fome e doenças. Há também a questão do clima, que está mais frio e úmido, deixando a situação dos refugiados ainda mais crítica pela falta de cobertores e combustível para aparelhos de aquecimento.
Segundo um engenheiro que foi deslocado para a região de Al-Mawasi com sua família, a situação é catastrófica. “Estamos dormindo deitados sobre sacos de farinha para nos proteger da chuva. Minha esposa e minhas filhas usam um cobertor à noite. Não há cobertores suficientes para todos. Não temos nada.”
No campo de Jabaliya, houve inundação de esgoto não tratado quando tubulações e uma estação de bombeamento foram danificados pelos ataques aéreos israelenses. A falta de água potável e de saneamento adequado representa um enorme risco para a saúde. Os casos de diarreia, por exemplo, são hoje 40 vezes superiores aos verificados no ano passado – e esses números devem piorar ainda mais nos próximos dias.
“A única maneira de interromper o massacre e evitar que mais vidas sejam perdidas é com um cessar-fogo imediato, a liberação dos reféns de ambos os lados e a entrada da ajuda humanitária necessária”, afirma Sally, diretora da Oxfam para o Oriente Médio.
