Violência sexual contra meninas indígenas é invisibilizada no Brasil

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Falta de dados oficiais sobre violência sexual contra meninas indígenas vem sendo denunciada por ativistas. Povos indígenas apontam falta de apoio governamental para enfrentar problema

violência sexual contra meninas indígenas
Imagem ilustrativa. Foto: Marcelo Camargo via Agência Brasil

Por: Juliana Lima

Para ativistas da causa indígena, a violência sexual contra meninas indígenas segue sendo invisibilizada no Brasil. Isso porque há poucos dados oficiais sobre os casos e pouca ou nenhuma mobilização realizada por agentes governamentais e sociedade em geral.

Em agosto de 2021, foi encontrado o corpo de Raísa Kaiowá, de apenas 11 anos, em uma pedreira desativada em um local conhecido como “favela indígena”, em Bororó (MS), área dos Kaiowá. A menina havia sido abusada por cinco pessoas. No mesmo mês, Daiane Kaingang, de 14 anos, foi encontrada morta em uma área de lavoura a 100 metros da Terra Indígena Guarita, no Rio Grande do Sul, depois de passar dias desaparecida. Segundo o Ministério Público do estado, o crime contra Daiane configura uma “grave violação dos direitos humanos”.

Segundo o Unicef e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quase 80% das vítimas de abuso sexual infantil são meninas. Entre 2017 e 2020, foi contabilizada uma média de 45 mil estupros de meninas por ano. Os dados são categorizados com informações de idade, raça e etnia das vítimas. No entanto, há poucas informações sobre crianças indígenas. Segundo o estudo, “alguns estados de maior concentração de indígenas não possuem os dados que permitem a análise em série histórica”.

No Relatório de Violência contra Povos Indígenas, lançado em 2020, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) contabilizou 277 casos de violências praticadas contra a pessoa indígena registrados em órgãos oficiais. Entre eles estão 10 casos de violência sexual contra indígenas, sendo 9 deles cometidos contra crianças ou adolescentes. Além disso, somente em 2019, ocorreram 825 mortes de crianças indígenas de 0 a 5 anos em todo o país.

Para Puyr Tembé, coordenadora da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa) e membra da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), o poder público é ausente perante os problemas enfrentados pelas meninas indígenas. “Até o presente momento, não temos um órgão oficial que cuide disso exatamente. Quem deveria fazer essa proteção seria a Funai, mas atualmente está muito defasada. Então, quem protege mesmo é a própria comunidade. A gente que vive dentro dos territórios indígenas precisa lutar com o que tem”, diz.

Fonte: Lunetas