Mulheres refugiadas realizam ações sociais após deslocamento forçado
No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o ACNUR conta a história de mulheres refugiadas que promovem projetos socioambientais na região em que se deslocaram

Por Ana Clara Godoi
As mulheres representam cerca da metade das 100 milhões de pessoas forçadas a se deslocar globalmente. Nos caminhos percorridos em busca de refúgio, elas são expostas à violência sexual, física e psicológica, exploração sexual e laboral, e até mesmo aos riscos de se locomover para outros países de maneira ilegal.
Diante desse cenário, o ACNUR (Agência da ONU para Refugiados), oferece proteção para meninas e mulheres durante todo o processo de deslocamento. Somente no Brasil, são realizadas diversas ações para empoderar refugiadas, promover políticas públicas de soluções duradouras que beneficiem esse grupo – as ações contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
Buscando ampliar o debate sobre o deslocamento forçado no mês do Dia Internacional da Mulher, o ACNUR conta a história de mulheres refugiadas que realizam ações socioambientais, por meio da campanha #MulheresQueMovemMundos.
Wiins Marin, Venezuela
Wiins se deslocou da Venezuela até o Brasil para assumir sua verdadeira identidade de gênero de forma segura. Acolhida em Manaus, a jovem esteticista atua como voluntária no projeto “Corte Solidário”, uma iniciativa que oferece gratuitamente cortes de cabelo nos mais diversos estilos a pessoas em situação de vulnerabilidade, independentemente de gênero, origem ou condição. “Queremos mais respeito, inclusão, igualdade, tolerância e empatia. É cansativo se reafirmar para a sociedade o tempo todo, mas não podemos desistir. Se resistirmos, nossa voz soará mais forte que a intolerância”.
Inna, Ucrânia
Desde que foi forçada a sair da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Inna está ajudando sua comunidade a lidar com os efeitos traumáticos da guerra. Ela trabalha em um centro de acolhimento de refugiados ucranianos na Polônia apoiado pelo ACNUR, e realiza sessões semanais de cuidados com estresse, cuidados específicos para mulheres, bem como sessões de aconselhamento individual e arteterapia. “Ninguém está preparado para essas experiências, mas a maioria dos refugiados que passam por eventos estressantes não pensa em pedir ajuda. Eles continuam vivendo com a ‘mentalidade de sobrevivência’ que desenvolveram durante os tempos de crise, e suas feridas só se aprofundam”.
Samia, Mianmar
Depois de chegar a Bangladesh, após uma viagem traumática desde Mianmar, Samia ficou desconsolada ao ver a floresta sendo destruída para dar lugar a abrigos para o campo de refugiados. “Quando cheguei aqui, vi pessoas matando animais, cortando árvores jogando lixo em todos os lugares”. Samia então integrou um grupo de jovens voluntários treinados pelo ACNUR e parceiros, com o objetivo de identificar problemas ambientais e apresentar suas próprias soluções para eles. Para ela, foi uma oportunidade de educar sua família, amigos e vizinhos sobre a importância de proteger as árvores e a vida selvagem que aparece pelo acampamento. Ela e o restante de seu grupo realizam sessões de conscientização com crianças, adultos e líderes locais.
Mujeres Fuertes, Venezuela
A iniciativa “Mujeres Fuertes”, do ACNUR e parceiros, apoia a capacitação profissional de mulheres venezuelanas no estado do Amazonas como uma forma de incentivá-las a buscar autonomia e renda. “Muitas coisas aprendemos aqui no laboratório. Com o certificado do curso, o próximo passo é conseguir montar meu próprio negócio para conseguir conciliar casa e trabalho com mais tranquilidade”, comenta Yoheli Carolina, 36, uma das participantes que vive no Brasil com seus dois filhos. Mãe solo em Manaus, diariamente ela divide o tempo entre preparar os meninos para a escola, organizar as tarefas domésticas e produzir trufas para custear o aluguel da casa onde moram, em uma vila na Zona Leste da cidade.
Mulheres pela Paz, Sudão do Sul
As mulheres do Sudão do Sul têm sofrido violência sexual em meio ao conflito armado presente no país há anos. Em 2019, criaram a Associação de Mulheres Magwi Payam, um grupo comunitário independente no sudeste do Sudão do Sul, atualmente com 35 mulheres. Muitas foram refugiadas em Uganda e retornaram, e agora procuram proativamente oportunidades para resolver conflitos na área. O ACNUR também está trabalhando diretamente com a Associação de Mulheres para fornecer treinamento em habilidades empresariais e capital inicial para alfaiataria e outras atividades de pequenos negócios, com o objetivo de ajudá-las a obter uma renda segura.
Para auxiliar as ações citadas acima, o ACNUR conta com doações únicas e mensais que podem ser realizadas no site da organização.
