Dia Nacional da Liberdade de Expressão reforça importância de influenciadores atuarem com responsabilidade nas eleições

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Clara Becker, cofundadora do Redes Cordiais. Foto: Divulgação

No próximo sábado, 28 de setembro, o Brasil celebra o Dia Nacional da Liberdade de Expressão, uma data que ressalta a importância de garantir a pluralidade de opiniões e o direito de manifestar pensamentos livremente, consagrado na Constituição Federal de 1988. Em um ano de eleições municipais, esse direito adquire uma relevância ainda maior, especialmente no contexto digital, onde influenciadores exercem um papel crescente na formação de opinião pública.

Pensando nisso, o Redes Cordiais — uma organização sem fins lucrativos criada com a missão de contribuir para a construção de espaços públicos digitais mais saudáveis — e o InternetLab — centro independente de pesquisa interdisciplinar que promove o debate acadêmico e a produção de conhecimento nas áreas de direito e tecnologia — lançam a nova edição do Guia para influenciadores nas eleições. O material atualizado em cada ciclo eleitoral, visa oferecer ferramentas para que influenciadores e produtores de conteúdo nas redes sociais participem do processo eleitoral de maneira democrática, segura e ética. O conteúdo também está alinhado às resoluções do TSE para as eleições de 2024.

Com o Brasil sendo o segundo país com maior número de influenciadores digitais, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme apontado por uma pesquisa da Nielsen (2022), o impacto dessas personalidades na percepção e nas decisões dos eleitores se torna evidente. Muitos cidadãos recorrem às redes sociais para se informar sobre os candidatos, sendo que a opinião de influenciadores pode moldar o debate eleitoral de forma significativa.

“A participação de influenciadores no debate político ganha especial relevância no período eleitoral. Nestes casos, não são apenas decisões de consumo que podem ser influenciadas, mas os próprios rumos do debate político e, até mesmo, decisões sobre votos. O apoio ou a crítica a candidatos, partidos ou projetos políticos podem afetar como as pessoas que acompanham aquele influenciador se posicionam no debate político ou em quem elas decidem votar”, reforça Clara Becker, cofundadora do Redes Cordiais.

O guia oferece uma “bússola para tomar decisões” sobre a participação de influenciadores no debate político, destacando os princípios de liberdade de expressão, transparência, responsabilidade e pluralismo. A liberdade de expressão é importante para promover uma participação ampla, livre e íntegra, essencial para a democracia. Já a transparência exige que se informe sobre filiações partidárias, ganhos financeiros ou campanhas. A responsabilidade envolve um cuidado com o conteúdo e para com a sua audiência. Por fim, o pluralismo assegura a inclusão de diferentes grupos sociais, tornando o debate público mais respeitoso e inclusivo durante as eleições.

“Com o avanço da inteligência artificial generativa, surge a necessidade urgente de regulamentar o uso dessas tecnologias durante as eleições. A capacidade de criar conteúdos sintéticos, como textos, áudios e vídeos, traz novos desafios para a integridade do debate público e para a proteção da democracia. Precisamos garantir que influenciadores e candidatos sejam transparentes sobre o uso dessas ferramentas e evitem a disseminação de informações falsas ou manipuladas”, comenta Gabriela de Almeida, diretora de relações institucionais do Redes Cordiais

O Redes Cordiais, fundado em 2018, é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão fomentar espaços digitais saudáveis, com menos desinformação e discursos de ódio. Em parceria com entidades públicas e privadas, o Redes Cordiais já treinou, em workshops presenciais e cursos virtuais, 300 influenciadores que juntos somam 140 milhões de seguidores. O Redes Cordiais também tem projetos de treinamento de jornalistas contra assédio virtual e de qualificação da informação produzida.

Acesse o guia aqui.