Infância ganha protagonismo nas ações ESG do setor empresarial, aponta Fundação Abrinq

Impacto das ONGs
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Divulgação: Fundação Abrinq

Um levantamento inédito da Fundação Abrinq com empresas brasileiras revela que a infância tem ocupado um lugar central nas práticas de responsabilidade social corporativa. A pesquisa mostra que 9 em cada 10 empresas já investem em ações sociais dentro da agenda ESG, sigla em inglês que integra os pilares ambiental, social e de governança.

O estudo “Agenda ESG e o Impacto Social das Empresas” revela um cenário promissor: 90,1% das empresas afirmam conhecer o conceito de ESG e 89% desenvolvem ações alinhadas a essa pauta. O que move as empresas, segundo os dados, é mais do que interesse financeiro — 88,5% delas apontam o desejo de contribuir com a sociedade como principal motivação. A valorização da imagem institucional também é um fator relevante (80,8%), enquanto benefícios fiscais aparecem em último lugar, sendo mencionados por apenas 5,1% das organizações.

Para Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq, a pesquisa reforça uma tendência importante: “As empresas já entenderam que lucro e impacto social podem andar juntos. Cada vez mais, vemos companhias que integram o ESG como parte de sua estratégia de negócios, e percebem como essas ações contribuem para a sociedade e para o fortalecimento de suas marcas”.

Empresas que investem na infância

O levantamento revela que as crianças e adolescentes são o principal público beneficiado pelas ações sociais empresariais, com 90,4% das empresas afirmando desenvolver iniciativas voltadas a esse grupo. Também aparecem como públicos-alvo jovens (54,5%), famílias e comunidades (50,6%), pessoas idosas (42,3%) e mulheres (37,2%).

A Fundação Abrinq atua há 35 anos na defesa dos direitos da infância e adolescência no Brasil. Um dos seus principais instrumentos para engajar o setor privado é o programa Empresa Amiga da Criança, que reconhece companhias comprometidas com a promoção dos direitos de crianças e adolescentes.

A maioria das empresas investe em Educação (71,2%), Meio Ambiente (55,8%) e Saúde (49,4%). Mas também há espaço para temas como diversidade, empoderamento feminino, pessoas com deficiência e ações emergenciais. As formas mais comuns de apoio são doações financeiras diretas (89,5%), doação de itens como alimentos e roupas (50%) e o voluntariado corporativo (19,4%).

Capilaridade, desafios e oportunidades

A pesquisa mostra que a agenda ESG está presente em empresas de diversos tamanhos e setores: da indústria (32,7%) ao comércio (16,7%), passando por serviços técnicos, científicos e comunicação. Porém, as ações sociais ainda se concentram majoritariamente no Sudeste (67,9%), enquanto regiões como Norte (8,3%) e Centro-Oeste (14,7%) recebem menor atenção. A desigualdade regional no acesso a investimentos sociais privados continua sendo um desafio a ser enfrentado.

Outro dado que chama a atenção é que apenas 8,3% das empresas utilizam editais públicos para selecionar projetos, o que pode limitar a diversidade das iniciativas apoiadas. Por outro lado, 96,9% das empresas afirmam confiar nas organizações da sociedade civil, e quase todas (98,1%) acreditam ter um papel ativo na transformação social.

Mais da metade das empresas (53,1%) conhecem os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, e entre essas, quase 80% consideram os ODS ao planejar suas ações sociais.

O download do estudo pode ser feito, gratuitamente, no site da Fundação Abrinq ou diretamente por esse link: https://www.fadc.org.br/sites/default/files/2025-06/agenda-ESG.pdf