ENEM 2025: curso de pré-vestibular tem vagas abertas no Rio e Baixada
Vagas
A UNEafro Brasil, iniciativa que compõem a aliança do Projeto SETA, cujo objetivo é transformar a rede pública escolar brasileira em um ecossistema de qualidade social antirracista, está com inscrições abertas para o curso gratuito de pré-vestibular. No Rio, as vagas disponíveis são para as turmas dos núcleos de Benfica, Campo Grande, Penha, Realengo e Madureira. Na Baixada Fluminense, os locais com disponibilidade são: Duque de Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti. Ao todo, são ofertadas 152 vagas. As inscrições devem ser realizadas através do link: https://inscricoes.uneafrobrasil.org/pre-cadastro
A organização possui 32 núcleos de cursinhos populares em todo o território nacional e, com isso, auxilia os candidatos que não têm acesso aos preparatórios particulares.
“Os cursinhos populares são muito importantes para os jovens que querem iniciar sua vida acadêmica. No pré-vestibular, os alunos têm a oportunidade de um aprendizado mais direcionado para as provas e podem contar com a ajuda dos professores e da coordenação. Além disso, eles participam de um espaço de troca onde suas vivências são parte do aprendizado, como aulas de campo, passeios e cineclubes. Essas atividades enriquecem o conteúdo pedagógico”, comenta Vanessa Vicente, coordenadora do Pré-Vestibular Casa Quilombel, localizado em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. O preparatório é um dos núcleos ligados à UNEafro Brasil.
Alunos são aprovados
Com dois anos de atuação, o Pré-Vestibular Casa Quilombel já atendeu cerca de 100 alunos. No último ano, três candidatos conquistaram aprovação. “Os jovens do território precisam muito trabalhar para ajudar em casa. Então, estudar após o Ensino Médio se torna secundário. O mercado de trabalho não os estimula a continuar o aprendizado, somado a isso, há a falta de mobilidade e a distância dos centros de trabalho”, salienta Vanessa.
Desigualdade no percurso
A edição de 2024 teve como tema a redação “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”. De acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), dos mais de 3 milhões de participantes, somente 12 tiraram a nota máxima. Desses, apenas uma aluna é de escola pública. O número de notas máximas é o menor dos últimos dez anos.
Para Ana Paula Brandão, Gestora do Projeto SETA, a desigualdade é uma das explicações para a ausência de alunos de escolas públicas em listas como as de notas máximas na redação. “Não estamos falando de capacidade, mas, sim, de orçamento, de planejamento e de vontade política. Os estados precisam investir mais na formação continuada de seus professores, na construção de um plano político pedagógico mais dialogado com a sua comunidade escolar, no desenvolvimento de uma cultura escolar inclusiva, participativa e democrática”, comenta.
De acordo com Luciana Ribeiro, Especialista em Educação do SETA, os resultados, do ponto de vista do campo da educação, fazem parte de um conjunto de ações sistêmicas que contribuem na qualidade educacional de crianças e jovens, sobretudo indígenas, negros e quilombolas, e a ausência da implementação de uma educação antirracista é um destes fatores.
Sobre o Projeto SETA
O Projeto SETA é uma aliança entre movimentos sociais e organizações negras, quilombolas, indígenas e feministas ligadas ao tema da educação. Compõem a iniciativa a ActionAid, Ação Educativa, Campanha Nacional pelo Direito à Educação, CONAQ, Geledés, Makira-E’ta e UNEafro Brasil, organizações reconhecidas e comprometidas na atuação no campo da educação antirracista. A atuação do Projeto SETA consiste no trabalho participativo por meio da realização de pesquisas, incidência política, formações e campanhas de mobilização em prol da equidade racial na educação. Trata-se de um trabalho que promove sistematicamente a voz, a mobilização e a liderança dos grupos representados pelo projeto. A visão coletiv
