Lei de Incentivo ao Esporte (LIE): empresas com foco em ESG deveriam pensar nela com carinho

Políticas Públicas
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Projeto Esporte na Cidade, em Sete Lagoas (Foto: Divulgação/De Peito Aberto)

 

Por Wenceslau Madeira

 

A Lei de Incentivo ao Esporte é uma ferramenta estratégica para empresas que desejam incorporar de forma concreta os pilares ESG em sua rotina. Ao apoiar projetos esportivos com foco educacional e social, elas passam a gerar valor real para as comunidades onde atuam, fortalecendo sua responsabilidade social de maneira tangível e mensurável. Isso ultrapassa o discurso e se traduz em resultados: saúde, educação, inclusão, redução da desigualdade e, consequentemente, dinamização da economia local.

O bom uso da LIE movimenta cadeias produtivas, emprega profissionais de diversas áreas — de professores a coordenadores logísticos — e impulsiona economias periféricas. Mais do que isso, fortalece o capital humano.

Investir em esporte é investir na formação de cidadãos mais saudáveis, mais conectados socialmente e com maior perspectiva de futuro. A médio e longo prazo, esse ciclo virtuoso impacta diretamente na produtividade e na estabilidade social do país.

O primeiro conselho é simples: foque nas pessoas. A técnica, o planejamento e os números são essenciais, mas o propósito precisa ser genuíno. Projetos bem-sucedidos são aqueles que respondem a demandas reais das comunidades e respeitam as particularidades de cada território.

O segundo é buscar capacitação constante. A legislação é densa, os formatos mudam, e é fundamental manter-se atualizado para navegar com segurança. A aproximação com outras instituições mais experientes também se mostra valiosa.

Por fim, é importante compreender que captar recursos via LIE não é apenas preencher um formulário. É preciso dialogar com patrocinadores, entender suas estratégias e construir um projeto que faça sentido tanto para a comunidade quanto para a empresa parceira. O esporte transforma, mas a transformação começa na seriedade e no comprometimento de quem propõe.

Na De Peito Aberto, enxergamos a LIE como um pilar estratégico de expansão e impacto. Projetos como o Esporte na Cidade, o Oportunidade Através do Esporte, o Educa Skate, o Educa Fut e o Esporte na Cidade Norte Nordeste mostram que é possível unir excelência pedagógica, gestão eficiente e impacto social real.

Apesar dos avanços, a LIE ainda sofre com limitações estruturais. Uma das principais é a falta de articulação entre os diferentes ministérios e esferas de governo. O esporte ainda não é tratado como política pública transversal, capaz de integrar saúde, educação, assistência social e cultura. Isso impede que projetos mais completos e estruturantes ganhem escala.

O processo de análise e aprovação ainda pode ser burocrático, principalmente para organizações menores e menos capacitadas. A distribuição geográfica dos projetos também é desigual: boa parte do recurso incentivado se concentra nas regiões Sul e Sudeste.

Acredito que precisamos medir, com profundidade, os efeitos de cada projeto na vida dos beneficiários e na comunidade. Só assim conseguiremos mostrar com clareza o valor que o esporte gera — para a sociedade e para o país.

Nos próximos anos, nosso foco será aprofundar parcerias com empresas que compreendam o potencial do esporte como vetor ESG, ampliar nossa presença em regiões historicamente negligenciadas e diversificar as modalidades e faixas etárias atendidas.

Também estamos comprometidos em criar métricas mais claras de impacto e reforçar a transparência dos nossos resultados. Queremos que o investimento incentivado gere, além de transformação, inspiração — para empresas, governos e outras instituições do terceiro setor.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor

 

Sobre o autor: Wenceslau Madeira é fundador e diretor presidente da Peito Aberto, organização voltada ao esporte, educação e cultura. É gestor público (UNIBH), especialista em natação e possui MBA em ESG (IBMEC), com atuação no Brasil e em Londres.