Estudo revela retrocessos e aumento das desigualdades no ensino público
ONGs em AçãoRelatório do Todos Pela Educação analisa desempenho dos estudantes entre 2003 e 2023 e mostra que aprendizagem ainda não retornou aos níveis pré-pandemia

A organização Todos Pela Educação divulgou um estudo que traça um panorama da aprendizagem na Educação Básica brasileira entre 2003 e 2023. Os dados revelam um cenário alarmante onde a pandemia da Covid-19 agravou as defasagens educacionais e ampliou desigualdades, especialmente entre estudantes da rede pública.
O relatório, intitulado “Aprendizagem na Educação Básica: situação brasileira no pós-pandemia”, apresenta análises inéditas por raça/cor, nível socioeconômico e recortes estaduais e municipais.
Segundo o levantamento, realizado com base nos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o desempenho em Língua Portuguesa e Matemática de alunos do Ensino Fundamental e Médio ainda está abaixo dos patamares anteriores à pandemia.
A análise aponta, por exemplo, que a rede pública não conseguiu retomar os níveis de aprendizagem observados antes de 2020. Além disso, a desigualdade racial se acentuou ao longo da última década. Entre 2013 e 2023, a distância entre estudantes brancos e estudantes negros e indígenas com desempenho adequado aumentou significativamente, sobretudo no 9º ano do Ensino Fundamental.
Nos demais anos avaliados, como o 5º ano do Ensino Fundamental e a 3ª série do Ensino Médio, o padrão de desigualdade se mantém, com pequenas reduções em alguns casos, mas ainda com índices elevados.
Apesar de avanços pontuais, os dados indicam que a Educação Básica brasileira permanece em estado crítico, sobretudo para alunos em situação de vulnerabilidade social.
Em nota à imprensa, Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do Todos Pela Educação, comentou:
“Os dados mostram um cenário ainda bastante crítico para a Educação Básica. Temos avanços que precisam ser reconhecidos, mas o contexto geral ainda é de muitos alunos com níveis baixíssimos de aprendizagem. A pandemia intensificou esse quadro e tornou ainda mais urgente e importante que o poder público tenha ações voltadas para a superação dessas defasagens, que muitas vezes são de conhecimentos muito básicos que não foram desenvolvidos. E como sempre, o olhar para a equidade é central. É inadmissível que o país não tenha conseguido, em uma década, reduzir as enormes diferenças de aprendizagem entre estudantes de diferentes grupos raciais e socioeconômicos”.
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas robustas, baseadas em evidências, com foco na qualidade da educação e na redução das desigualdades. Embora apresente avanços no percentual de estudantes com desempenho considerado adequado, a análise revela que a recuperação da aprendizagem ainda está longe de alcançar os índices de 2019.
Ao revelar avanços, retrocessos e disparidades no cenário educacional brasileiro, o estudo busca qualificar o debate público e incentivar lideranças políticas e educacionais a fortalecer o compromisso com uma Educação Básica de qualidade e equitativa.
No relatório compartilhado a Organização pontua, “Todos Pela Educação seguirá monitorando os dados de aprendizagem da Educação Básica, com o objetivo de contribuir para que escola pública de qualidade seja realidade para todas as crianças e jovens do Brasil”.
O relatório completo está disponível no site oficial do Todos Pela Educação.
Sobre Todos pela Educação
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