IDIS lança publicação com perfil de filantropos e propostas para ampliar a Filantropia Familiar no Brasil
Cultura de Doação
O Brasil vive um paradoxo: o número de milionários e bilionários cresce, mas as doações de famílias ricas seguem estagnadas e aquém do seu potencial. Para compreender esse cenário e propor caminhos de mudança, o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – lança a publicação Caminhos para uma Atuação Mais Ampla e Estratégica da Filantropia Familiar no Brasil. O estudo traz dados inéditos, entrevistas com especialistas e contribuições de filantropos atuantes.
Segundo Paula Fabiani, CEO do IDIS, “em momentos decisivos, especialmente diante de emergências, pessoas com altos patrimônios fazem doações. O desafio é canalizar essa energia para ações estruturantes e de longo prazo”.
O estudo traça um panorama da filantropia familiar no Brasil e no mundo, destacando o protagonismo de causas pessoais e a influência de valores herdados. Movimentos como o Giving Pledge e o Generation Pledge são citados como exemplos globais de engajamento voluntário de grandes fortunas. No Brasil, uma pesquisa com 35 filantropos identificou práticas estruturadas: 40% doam mais de R$ 5 milhões por ano. A educação lidera entre as causas apoiadas, mas temas como meio ambiente, políticas públicas, combate à fome e redução das desigualdades vêm ganhando espaço.
A tomada de decisão costuma ser familiar: cônjuges participam das escolhas em 65% dos casos, filhos em 59% e irmãos em 49%. Já a gestão operacional conta com o apoio de profissionais especializados em 65% das iniciativas.
Entre os obstáculos mapeados estão a percepção de que muitas organizações da sociedade civil não entregam impacto de forma eficiente (20%), a ausência de incentivos fiscais adequados (17%) e o desconhecimento sobre causas e instituições a apoiar (3%). Questões de segurança patrimonial também aparecem com relevância, especialmente no contexto latino-americano.
Três caminhos para uma atuação mais estratégica
1. Engajar mais indivíduos e famílias de alto patrimônio: envolver novos doadores e a próxima geração de filantropos, criar espaços de troca entre pares e ampliar o debate público sobre o papel social das famílias ricas;
2. Aumentar o valor médio doado: fortalecer a governança das OSCs, criar um ambiente regulatório mais favorável e fomentar a confiança na capacidade das organizações;
3. Mobilizar mais capital com visão de longo prazo: diversificar instrumentos financeiros, incentivar advocacy e construir coalizões multissetoriais capazes de gerar impacto em escala.
Para Felipe Insunza Groba, gerente de projetos no IDIS, a publicação é um convite à ação coordenada: “A mudança exige o engajamento de todos no ecossistema — filantropos, consultores, advogados, comunicadores, gestores de OSCs e formuladores de políticas públicas”.
Diante de desigualdades profundas e crises socioambientais, o Brasil precisa de uma nova geração de filantropos dispostos a atuar com intenção e estratégia. “É hora de sair da lógica da doação pontual e construir uma atuação contínua, articulada e com impacto duradouro”, conclui Groba.
A publicação completa está disponível gratuitamente no site do IDIS: www.idis.org.br. A iniciativa contou com o apoio da Fundação Itaú, Instituto Beja, Movimento Bem Maior e Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Sobre o IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social
O IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social- foi fundado em 1999, e é uma organização social independente. É a primeira organização a apoiar estrategicamente os investidores sociais no Brasil. Seu objetivo é inspirar, apoiar e ampliar o investimento social privado e seu impacto, promovendo ações que transformam realidades e contribuem para a redução das desigualdades sociais no país. Tem a sua atuação apoiada na geração de conhecimento, consultoria e realização de projetos de impacto, que contribuem para o fortalecimento do ecossistema da filantropia e da cultura de doação.
