Pará se torna case de educação climática com programa que apoia legado da COP30

Impacto das ONGs
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Componente curricular “Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima”, em articulação com o Itinerários Amazônicos

Antes mesmo de Belém receber líderes globais na COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), uma parceria entre a Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc-PA) e o Instituto iungo já despontava com ações concretas de educação ambiental: mais de 10 mil professores da rede pública foram mobilizados e estão transformando a sala de aula. A iniciativa já impacta escolas de todo o estado, com 97% dos professores afirmando que as formações qualificaram sua atuação.

Os resultados são da implementação do componente curricular “Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima”, em articulação com o Itinerários Amazônicos (itinerariosamazonicos.org.br), programa premiado internacionalmente, que coloca a Amazônia em toda a sua complexidade ambiental, social e cultural no centro das aprendizagens escolares. O componente integra a Política de Educação para o Meio Ambiente, Sustentabilidade e Clima, lançada pelo governo do Pará em 2023, que tornou o tema obrigatório em toda a Educação Básica. Como parceiro estratégico, o Instituto iungo foi responsável pela construção dos materiais pedagógicos e realiza ações de formação continuada para docentes e gestores dos Anos Finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

Em escala mais ampla, o programa Itinerários Amazônicos já alcançou mais de 43 mil educadores em quase 600 ações formativas realizadas em parceria entre o Instituto iungo e 8 redes de ensino da Amazônia Legal: Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Roraima e Tocantins. Reconhecido internacionalmente, o programa foi vencedor do prêmio Mentes em Verde, promovido pelo BID e pela Socialab, e ficou entre os finalistas do Reimagine Education Awards, considerado o “Oscar” da educação.

De acordo com Paulo Andrade, presidente do iungo, “o programa Itinerários Amazônicos é dos jovens e educadores amazônicos, dos gestores das escolas e dos formadores das redes de ensino. O programa é uma resposta à necessidade de agir, com urgência, para enfrentar os desafios relacionados às questões climáticas, às desigualdades e à promoção da vida e da educação das diversas populações do planeta”.

No Pará, a parceria entre iungo e Seduc-PA já acumula números expressivos: mais de 120 ações formativas realizadas, com um índice global de satisfação de 9,07. Mais do que a aceitação, o resultado prático chama a atenção: 96% dos educadores relatam maior engajamento e motivação dos alunos. Para o coordenador de Educação Ambiental da Seduc-PA, Mauro Tavares, a implementação consolida o compromisso do estado com a formação integral dos estudantes. “A parceria com o Instituto iungo continua na condução das ações de formação continuada. Isso potencializa a implementação, pelos professores da rede, de práticas que contemplam as diversas realidades do nosso estado”, aponta.

A conexão com a realidade local é um dos pilares. A professora de geografia Merian Nascimento (Concórdia do Pará – PA) encontrou nos materiais a oportunidade de desenvolver projetos interdisciplinares sobre sustentabilidade com os estudantes. “Acessei os materiais pedagógicos e percebi que finalmente havia encontrado uma referência bem organizada e com identidade amazônica. Temos carência de uma produção pedagógica que traga a valorização dos saberes locais de forma abrangente, que faça sentido para quem é daqui. E, ao mesmo tempo, sistematizada e inovadora. O programa facilitou muito o planejamento das aulas. É uma verdadeira plataforma para impulsionar o trabalho docente”, explica a educadora.

Com o avanço da implementação e os resultados positivos de engajamento, o Pará se torna referência na integração entre educação, sustentabilidade e ação climática, em sintonia com as discussões globais realizadas durante a COP30. A experiência do estado demonstra que políticas educacionais locais podem inspirar soluções globais e que o futuro da Amazônia começa a ser construído, desde já, nas salas de aula.