Projeto comunitário promove saúde e bem-estar infantil em pequeno povoado do Sergipe

Direitos Humanos
Compartilhar

O projeto CRIA, do The Human Project, estimula e auxilia jovens do Povoado da Pedra Furada, em Santa Luzia do Itanhy–SE, a proporcionarem soluções de saúde, educação, parentalidade positiva e bem-estar infantil para a sua comunidade

Imagem: Divulgação/The Human Project

Por Lucas Neves

Nesta terça-feira (25), o The Human Project (THP) realizou o seminário “Caminhos sistêmicos para uma primeira infância saudável”, no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Reunindo representantes de organizações sociais e especialistas em saúde, o evento apresentou o CRIA, projeto de tecnologia social desenvolvido pela THP no Povoado da Pedra Furada, em Santa Luzia do Itanhy–SE.

O seminário — apoiado pelo Infinis, Instituto Beja e o Instituto Mahle — foi dividido em dois painéis. O primeiro focou no olhar sistêmico para o desenvolvimento pleno das futuras gerações em comunidades rurais, com a participação de Eliete Morais, consultora do Ministério da Saúde, Daniel Santos, professor da FEA-RP/USP, Amanda Sadalla, diretora executiva e cofundadora da Serenas e Paulo Tafner, diretor-presidente do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social.

Já no segundo painel, a ideia era apresentar as ações e o impacto do CRIA, reunindo os participantes do projeto. Em depoimentos emocionados, os jovens CRIA contaram, um por um, suas atribuições na iniciativa e, principalmente, exaltaram o impacto do projeto não só no Povoado da Pedra Furada, mas nas suas próprias jornadas de vida.

CRIA: projeto comunitário de transformação territorial

O CRIA é um dos projetos de tecnologia social desenvolvido pelo THP, tendo como objetivo construir soluções comunitárias que integrem saúde, educação, parentalidade positiva e bem-estar infantil. Iniciado em 2022 no Povoado da Pedra Furada, o projeto formou uma rede local capaz de sustentar o desenvolvimento integral das crianças da comunidade.

Atualmente, a iniciativa vem expandindo sua atuação por meio de oficinas, terapias e formações sobre temas como pré-natal, amamentação, alimentação saudável, vínculos familiares e saúde mental. Até o momento, o CRIA soma 221 participantes diretos, 9 adolescentes engajados na construção da tecnologia social e 248 beneficiários indiretos.

“Vendo o impacto que o projeto tem causado na Pedra Furada, a nossa intenção é de conseguir avançar e levar também para as outras comunidades vizinhas”, comentou Raiane Ribeiro, Coordenadora/pesquisadora da Tecnologia Social Synapse Educação Infantil do THP.

Em conversa com o Observatório do Terceiro Setor, Raiane destacou a necessidade de respeitar os territórios para construir projetos que causem transformações significativas.  “Para fazer um projeto em qualquer área, ou eixo, tem que respeitar o território em que você está entrando. O primeiro passo é você pedir licença e entender que você vai fazer um trabalho de formiguinha, conhecendo a comunidade, fazendo o diagnóstico sobre a sua cultura e suas práticas”.

O poder dos projetos de tecnologia social

O The Human Project atua por meio da construção de Tecnologias Sociais, visando enfrentar os principais fatores que contribuem para problemas como a pobreza, numa abordagem sistêmica, evolutiva e orientada a negócios.

Mas o que significa tecnologia social? Este é um conceito que representa um conjunto de metodologias e técnicas elaboradas de modo coletivo para resolver problemas sociais e melhorar a qualidade de vida de comunidades. No CRIA, essa metodologia de construção coletiva é levada à risca.

“O The Human Project acredita que você tem que criar tecnologias sociais, que são soluções pensadas pela própria comunidade, gerando condições para que toda a pessoa se desenvolva de maneira plena”, comentou Saulo Barreto, cofundador do THP.

Promovendo saúde na infância para comunidades periféricas e rurais

O Infinis (Instituto Futuro é Infância Saudável) é um dos apoiadores do THP. Segundo Márcia Kalvon, diretora executiva da organização, é fundamental para o Infinis compreender as diferentes realidades do Brasil e saber como ocorre a vida das crianças e adolescentes em comunidades remotas. “Essa é uma jornada que nós estamos perseguindo”.

Segundo ela, o instituto vê a estratégia de olhar para projetos comunitários como uma das principais metas para os próximos 5 anos. Afinal, o Infinis acredita que essas iniciativas possuem papel estratégico importante para a transformação da saúde infantil. São elas que têm a legitimidade de atuar no território, pois são feitas pelas próprias pessoas que vivem na comunidade”.