Especialista analisa movimentos do investimento social privado em 2026

Captação de Recursos
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Neste texto, o diretor executivo do Grupo +Unidos, Daniel Grynberg, analisa os desafios e oportunidades do investimento social privado em 2026

Imagem: Freepik

O investimento social privado deve entrar em 2026 com novas prioridades e uma reorganização estratégica impulsionada pelas crises que marcaram os últimos anos. A combinação entre desastres ambientais recorrentes, o aumento da pressão por respostas rápidas e expectativas sociais cada vez mais amplas está levando financiadores e organizações a repensar sua atuação e a antecipar movimentos que antes caminhavam lentamente.

Segundo o Censo GIFE 2024-2025, o setor registrou R$ 5,8 bilhões investidos em 2024, com destaque para o fortalecimento dos repasses às organizações da sociedade civil e para o avanço definitivo da agenda climática como prioridade. O dado confirma uma guinada importante: o enfrentamento às crises ambientais deixa de ser isolado e passa a integrar o planejamento de impacto de instituições e financiadores.

“As enchentes, secas e incêndios que temos enfrentado mostram que ações emergenciais não bastam. Cada vez mais, financiadores entendem que adaptação climática, resiliência e responsabilidade socioambiental exigem continuidade. A boa notícia é que há interesse crescente em construir soluções estruturadas, que sobrevivam aos ciclos políticos e se sustentem no tempo”, afirma Daniel Grynberg, diretor executivo do Grupo +Unidos.

Outro movimento que deve ganhar força em 2026 é a aproximação entre filantropia e ciência. A criação de endowments universitários, a entrada de novos financiadores interessados em apoiar pesquisa e o amadurecimento de espaços de diálogo entre academia, institutos e fundações setam o ritmo para modelos mais sólidos de fomento.

“Sistemas de pesquisa robustos precisam de estabilidade, governança e capacidade institucional, e a filantropia pode ajudar a garantir isso. O próximo ano deve consolidar modelos que combinem doações permanentes, parcerias com políticas públicas e apoio a pesquisas de maior risco, mas com enorme potencial transformador”, diz Grynberg.

O fortalecimento da governança institucional tem levado o setor a reavaliar suas próprias estruturas. Para além do financiamento de iniciativas sociais, há uma atenção crescente à composição de conselhos, equipes e processos decisórios como fator de legitimidade e credibilidade das organizações filantrópicas.

Em paralelo, desafios de gestão e eficiência devem ganhar protagonismo. Em um ano eleitoral e de maior fragmentação da atenção pública, organizações precisarão modernizar processos, incorporar dados e tecnologia, aprimorar sua narrativa institucional e dialogar com financiadores que, diante das incertezas, exigem clareza e consistência. Tendências como concessões baseadas em confiança, autonomia e redução de burocracias tendem a se expandir, abrindo espaço para organizações de base atuarem com mais estabilidade — especialmente em territórios historicamente subfinanciados.

“O que está em jogo em 2026 não é apenas quanto será investido, mas como será investido. Se o setor operar com visão, continuidade e colaboração intersetorial, podemos dar um salto qualitativo na forma como o Brasil constrói impacto social”, conclui o diretor do Grupo +Unidos.

Daniel Grynberg

Membro do Comitê Gestor e diretor executivo do Grupo +Unidos. Possui mais de 10 anos de experiência em investimento social, empreendedorismo, aceleração e desenvolvimento de negócios. É bacharel em Administração de Empresas pelo Insper, com cursos complementares em Valuation, Empreendedorismo e mestrado em Gestão Pública pelo Insper. Além disso, Daniel atua nos segmentos de inovação social, ESG, programas de aceleração, gestão de projetos, capital de risco, dívida e medição de impacto social. Também é colunista da editoria Observadores, do Observatório do Terceiro Setor.