Fundação Abrinq mobiliza a sociedade contra o financiamento do trabalho infantil no Carnaval
ONGs em Ação
Com a chegada do Carnaval, período de grande circulação de pessoas e trabalho informal nas ruas, a Fundação Abrinq faz um alerta: o contexto de grandes aglomerações pode aumentar a exposição de crianças e adolescentes ao trabalho infantil, intensificando riscos e violações que muitas vezes passam despercebidas na multidão.
Dados recentes do IBGE indicam que mais de 1,6 milhão de crianças e adolescentes, entre 5 e 17 anos, estão em situação de trabalho infantil no País. Em festas populares, esse cenário pode se agravar: crianças e adolescentes podem ser vistos vendendo produtos, carregando peso, circulando por longas horas nas ruas e, em alguns casos, atuando em atividades proibidas pela legislação, frequentemente com maior vulnerabilidade a acidentes, violência e evasão escolar.
“Carnaval é celebração, cultura e encontro. Mas nenhuma festa pode depender da violação de direitos de crianças e adolescentes. Quando uma criança está trabalhando na rua, ela está mais exposta a riscos e perde tempo de proteção, educação e desenvolvimento”, afirma Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq.
A Fundação Abrinq reforça que o enfrentamento do trabalho infantil exige políticas públicas e fiscalização, mas também escolhas concretas da sociedade, especialmente em períodos de grande movimentação: não comprar produtos ou serviços oferecidos por crianças e adolescentes, não oferecer “bicos” e acionar, sempre que identificar a violação, a Rede de Proteção local.
“A forma mais rápida de interromper o ciclo é não normalizar e não financiar. Se a sociedade deixa de consumir o que é vendido por crianças, a exploração perde espaço. E informação de qualidade também faz diferença: por isso recomendamos o portal https://naoaotrabalhoinfantil.org.br/, que reúne orientações claras, materiais e dados confiáveis sobre o tema”, completa Victor.
Durante o Carnaval, a sociedade pode contribuir para o enfrentamento do trabalho infantil adotando atitudes responsáveis, como não comprar produtos ou serviços oferecidos por crianças e adolescentes, não oferecer “bicos” nem contratar menores de idade para atividades informais, especialmente em horários noturnos e em ambientes de risco, e denunciar situações de trabalho infantil e outras violações de direitos por meio do Disque 100.
