A economia da urgência: Consulado da Mulher mostra que negócio próprio é protagonista em metade dos lares das nanoempreendedoras

Impacto das ONGs
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Créditos: Sofia Colucci

Pesquisa do Consulado da Mulher mostra que 75% dessas profissionais iniciaram suas atividades motivadas pela necessidade de garantir a subsistência familiar

O nanoempreendedorismo feminino consolidou-se como o verdadeiro pilar de sustentação das famílias brasileiras que dependem desse tipo de atividade. Atualmente, 49% das mulheres nanoempreendedoras no Brasil têm o próprio negócio como principal fonte de renda. Impulsionadas pela urgência econômica, 75% começaram a empreender para sustentar a casa, visto que 58% dessas famílias vivem com até dois salários mínimos.

Os dados são do estudo “Nanoempreendedora em foco: Identidade, Sobrevivência e o Paradoxo da Autonomia”, realizada pelo Instituto Consulado da Mulher, organização social mantida pela Whirlpool Corporation (detentora das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid), com co-realização de Engie, apoio Be.Labs e executado pela Vert.se.

Segundo Adriana Carvalho, Diretora Executiva do Instituto Consulado da Mulher, “não tratamos esse modelo apenas como um negócio pequeno que precisa crescer, mas como uma organização econômica específica que exige respostas próprias, pois não existe fortalecimento econômico real sem enfrentarmos a sobrecarga do trabalho doméstico e do cuidado”, completa. “Acreditamos na força do trabalho em rede para fortalecer o empreendedorismo e na importância do conhecimento local, além de novas políticas públicas.

O estudo foi estruturado em duas etapas: uma fase qualitativa, que ouviu aproximadamente 120 mulheres, e uma quantitativa, com 370 respondentes de todo o país. O retrato final expõe um profundo paradoxo produtivo e um cenário de exaustão. Embora 56% das entrevistadas relatem uma carga de trabalho superior à do antigo regime CLT, 61% rejeitam o retorno ao emprego formal.

Essa decisão é impulsionada especialmente pela maternidade e pelo formato do mercado de trabalho tradicional, que não se adapta à realidade de quem lidera a economia doméstica e do cuidado, diante da falta de infraestrutura do Estado, como a escassez de creches ou escolas públicas em período integral.

“A Engie reforça seu compromisso em transformar realidades nas comunidades onde atua e compreender, apoiar e ampliar os negócios das mulheres que empreendem no Brasil. Os dados da Pesquisa permitem orientar ações mais assertivas e fortalecer negócios liderados por mulheres com recursos, conhecimento e redes de apoio”, comenta a Diretora de Sustentabilidade, Thais Soares.

Nesta edição foi introduzido um novo indicador: o “Paradoxo da Autonomia”. Ele revelou que, apesar de 40% das nanoempreendedoras possuírem ensino superior ou pós-graduação, 78% não ultrapassa o faturamento de R$3.000 mensais devido a barreiras estruturais como a sobrecarga de cuidados domésticos e a falta de capital para reinvestimento.

Marcela Fuji, fundadora e CEO da Be.Labs reforça que o apoio real exige conhecimento. “Quando a pesquisa olha para Norte, Nordeste e Centro-Oeste, o que a Be.Labs chama de Novo Eixo, provocamos a invisibilidade que ainda orienta os investimentos”.

Para além das métricas de faturamento, uma nova vertical do estudo avalia o impacto do empreendedorismo nas “3 Saúdes” (Física, Mental e Social). O cenário exige alerta: a sobrecarga da jornada tripla resulta em dores crônicas para 46% das mulheres e transtornos mentais, como ansiedade e estresse, para mais da metade (59%) das entrevistadas.

Diante dos desafios diários, a religião desponta como o principal apoio do nanoempreendedorismo feminino: 92% das mulheres garantem que a fé é o pilar fundamental para não desistirem de seus negócios. Mais do que um refúgio de suporte emocional, as igrejas e templos reconfiguram a logística nas periferias ao se tornarem o principal polo comercial dessas profissionais, servindo como o espaço estratégico de vendas e exposição de produtos para 53% das mulheres.

Com os novos indicadores, o Instituto Consulado da Mulher reafirma seu compromisso em transformar a realidade dessas empreendedoras, adaptando constantemente sua metodologia para oferecer um suporte que considere as necessidades humanas e estruturais por trás de cada negócio.