Cidade do Futuro 2026 reúne lideranças em debate sobre cidades resilientes e sustentáveis
Empresas do Bem“O legado do Festival Cidade do Futuro é criar conexões que gerem impacto, mobilizando capital e recursos para iniciativas que fomentem a melhor qualidade de vida nas cidades”, afirmou Michel Porcino, fundador do Instituto RetomadaBR e um dos idealizadores do evento

*Por Lucas Neves
Na última semana, São Paulo recebeu a 4ª edição do Festival Cidade do Futuro, um encontro dedicado à construção de cidades mais inovadoras, sustentáveis e inclusivas. Durante dois dias de evento, lideranças, empresas, investidores e gestores públicos se reuniram com o propósito de debater e impulsionar transformações nos territórios urbanos.
Recebendo cerca de 150 painelistas de todo o Brasil, o festival permitiu que os participantes acompanhassem mais de 100 palestras e atividades. Entre os temas abordados estavam: cidades sustentáveis, inovação urbana, mobilidade, energia limpa, habitação, tecnologia, economia criativa e impacto social.
A iniciativa é co-realizada pelas organizações RetomadaBR, a Associação Esportiva e Cultural (CNB) e pela Secretaria de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo. “O legado do Festival Cidade do Futuro é criar conexões que gerem impacto, mobilizando capital e recursos para iniciativas que fomentem a melhor qualidade de vida nas cidades”, comentou Michel Porcino, fundador do Instituto RetomadaBR e um dos idealizadores do evento.
Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, Porcino explicou o significado de “cidade do futuro” no atual contexto brasileiro. Segundo ele, pensar em metrópoles futuristas não é apenas buscar o avanço tecnológico, mas também pensar constantemente em como melhorar o bem-estar das populações.
“A cidade do futuro precisa criar ambientes com maior qualidade de vida. Ela vem nesse lugar de bem-estar, pensada paras pessoas, e utilizando a tecnologia só como uma ferramenta e não como um fim”, salientou.
Cidade do Futuro e os desastres climáticos
O número de desastres climáticos aumentou cerca de 222%, no Brasil, entre a década de 1990 e os primeiros anos de 2020, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Nesse contexto alarmante, as ações climáticas e a sustentabilidade foram uma das principais pautas do evento. “Hoje, as pautas climáticas são uma questão de sobrevivência, não é uma escolha política”, afirmou Porcino.
Para o fundador do RetomadaBR, é fundamental entender os motivos que levam aos desastres climáticos, buscando assim, modos mais inteligentes e estratégicos para mitigar os eventos extremos.
“O que a gente quer fazer aqui no Festival Cidade do Futuro é mostrar que existem soluções que servem para o Brasil e que podem servir para outros lugares do mundo que tem o mesmo reflexo tropical.”
Segundo ele, é necessário ir além da importação de soluções de países como a China ou Estados Unidos. No seu ponto de vista, é preciso entender o contexto e as necessidades das cidades do Brasil, elaborando tecnologias e ações que considerem as particularidades de cada território.
Ainda, Porcino comentou que a própria criação do RetomadaBR é fruto do festival Cidade de Futuro. O instituto trabalha na estruturação de soluções econômicas e ambientais para apoiar territórios e empreendedores atingidos por desastres.
“Primeiro veio o festival, depois veio o Instituto RetomadaBR. Então, eu acho que o próprio instituto é um reflexo do impacto deste evento”, concluiu.
Parceiros do Festival Cidade do Futuro
Além dos organizadores, o Festival Cidades do Futuro 2026 contou com o apoio de instituições importantes para sair do papel. Entre eles estava a InvestSP, uma agência paulista que tem a missão de desenvolver o Estado de São Paulo por meio da promoção de investimentos, aumento das exportações, incentivo à inovação e melhoria do ambiente de negócios.
Para isso, a agência atua como hub de empresas que pretendem se instalar ou expandir seus empreendimentos em solo paulista. Ela fornece, gratuitamente, informações estratégicas que ajudam o investidor a encontrar o melhor local para o seu negócio, além de prestar assessoria em questões tributárias, ambientais e de infraestrutura.
Natália Biesiada, Coordenadora de Projetos da InvestSP, esteve presente no evento, onde apresentou iniciativas da agência. Em entrevista ao Observatório, ela falou sobre o potencial de São Paulo como uma cidade vitrine para as metrópoles do futuro no Brasil, tendo em vista que a capital paulista representa cerca de 30% do PIB nacional, com uma economia diversificada e infraestrutura de nível global.
Além disso, Natália abordou a necessidade da integração entre a agenda verde e a agenda de inovação tecnológica para construção de metrópoles sustentáveis e inteligentes. “A cidade do futuro tem muitas pautas. A agenda verde é uma delas e a parte de inovação e tecnologia é outra. Mas elas duas precisam andar juntas.”
Segundo ela, a junção entre tecnologia e sustentabilidade é fundamental para aprimorar a gestão de resíduos e controlar a poluição. Outro aspecto positivo desse trabalho conjunto é a ampliação de técnicas de monitoramento e rastreabilidade em contextos ambientais.
O que é a Cidade do Futuro nas periferias?
A Teto Brasil também esteve presente no festival. Formada por jovens voluntários, a organização implementa iniciativas de moradia e habitat em favelas precárias ao lado dos moradores, fortalecendo as capacidades para desenvolver comunidades autogeridas e, assim, superar a pobreza no país.
Para Camila Jordan, diretora da Teto Brasil, uma cidade do futuro precisa ser inclusiva, sobretudo, nas regiões periféricas. Nesse sentido, ela disse que é preciso pensar no presente e entender como criar inclusão nas metrópoles, priorizando regiões mais vulnerabilizadas e as favelas, que fazem parte do tecido urbano dessas grandes cidades.
“Essas pessoas devem usufruir dos mesmos direitos e deveres que todos nós temos nas cidades. No entanto, hoje sabemos que esses direitos não são acessados da mesma forma. Seja pela falta de moradia, saneamento básico, acesso à eletricidade, o tempo de transporte que as pessoas levam, o acesso à cultura e muitos outros aspectos”, comentou.
Ainda, Camila salientou o papel do terceiro setor na luta contra a desigualdade nas cidades, tanto em denunciar o problema, quanto em criar ações de impacto. “A cada casa que a Teto constrói, estamos denunciando que ali morava uma pessoa num barraco de madeira, com um piso de chão de terra, sem nenhum tipo de acesso e nenhuma vivência digna”, concluiu a diretora da TETO Brasil.
