Gasto com leite condensado daria para comprar 7,8 mil cilindros de oxigênio

Compartilhar

Enquanto o governo federal gasta R$ 15,6 milhões em leite condensado, com latas custando R$ 162, pessoas morrem no Norte do país por falta de oxigênio. No Pará, houve um caso em que sete pessoas de uma mesma família morreram por falta de cilindros de oxigênio no local em que foram atendidas

Imagens: Defensoria Pública do Amazonas | Adobe Stock

Os gastos astronômicos com compras de supermercado feitas pelo governo federal, no ano passado, ganharam as principais manchetes do Brasil. Em plena pandemia, o governo federal gastou R$ 1,8 bilhão em compras de supermercado.

Ao longo de 2020, foram gastos R$ 21 milhões na compra de iogurte natural. Além disso, R$ 15.641.777,49 foram gastos em leite condensado, R$ 31.545.337,34 em refrigerante, R$ 18.530.214,29 em sal e R$ 7.189.504,72 em bacon defumado. Tudo com dinheiro público.

Somente com os gastos com o leite condensado, R$ 15,6 milhões, sendo que o governo chegou a pagar até R$ 162 por lata, daria para comprar cerca de 7,8 mil cilindros de oxigênio de 50 litros (padrão industrial), avaliados entre R$ 1,8 mil e R$ 2 mil a unidade, para locais no Brasil que vivem um colapso por causa da pandemia de Covid-19.

Vários pacientes já morreram por falta de oxigênio no Norte do Brasil. No Pará, por exemplo, em menos de 24 horas, sete pessoas de uma mesma família moradora do distrito Nova Maracanã, na zona rural do município de Faro, no oeste do Pará, morreram com sintomas da Covid-19. Bisavó, avó, avô, mãe, pai e dois tios não resistiram muito tempo após complicações respiratórias, por falta de oxigênio. A Unidade Básica de Saúde (UBS) da comunidade não tinha cilindros de oxigênio.

Países como a Venezuela e Estados Unidos já enviaram cilindros para a cidade de Manaus, uma das mais prejudicadas por falta de oxigênio. Campanhas lançadas na internet por artistas também arrecadaram fundos para comprar cilindros de oxigênio.

O estado do Amazonas apresentou aceleração de 157% na média de mortes por Covid-19 nos últimos sete dias. O caos sanitário continua no estado em meio à falta de oxigênio, a transferência de pacientes para outros estados e a reabertura do hospital de campanha.

Fonte: UOL