Apenas 8% das mulheres negras ocupam cargos de liderança, diz estudo
Pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta ainda aponta que 54% das mulheres negras entrevistadas não estavam exercendo um trabalho remunerado

Por: Mariana Lima
Uma pesquisa realizada pela consultoria Indique Uma Preta e pela empresa Box1824 aponta que apenas 8% das mulheres negras que trabalham no mercado formal ocupam cargos de gerente, diretora ou sócia proprietária de empresas.
A pesquisa “Potência (in)visíveis: a realidade da mulher negra no mercado de trabalho” ouviu mil mulheres, entre 18 e 65 anos, de março a setembro de 2020.
Entre as mulheres entrevistadas, 54% não exerciam um trabalho remunerado e, destas, 39% estavam em busca de um emprego.
No grupo de mulheres que estavam trabalhando (46%), pouco mais de 20% estavam ocupadas como autônomas. Das empregadas no mercado de trabalho formal, apenas 2% ocupavam cargos de diretora, 3% de sócia proprietária e outras 3% de gerente.
Presidentes e vice-presidentes eram não rara que, na pesquisa, o percentual arredondado é de 0%, embora existam casos isolados.
A maior parte das mulheres empregadas no setor formal eram assistentes ou auxiliares (23%), profissionais de administrativo ou operacional (18%), analistas (8%) e estagiárias ou trainees (5%).
No total, 72% das entrevistadas relatou também não ter sido liderada por uma mulher negra nos últimos cinco anos de trabalho.
Entre as mulheres negras ouvidas, 51% afirmaram que receber promoções foi difícil ou muito complicado nos últimos anos.
Além disso, 37% se disseram insatisfeitas ou muito insatisfeita com a falta de oportunidades para crescimento.
O levantamento ainda pontua a questão do racismo no ambiente de trabalho. Entre as entrevistadas, 51% informaram ter escutado piadas relacionadas a cor, cabelo ou aparência no espaço de trabalho.
Ao todo, 49% disseram ter se sentido desqualificadas profissionalmente, mesmo tendo a formação necessária para ocupar tal espaço; e 37% contaram que tiveram uma opinião ou ideia silenciada, enquanto a opinião de pessoas brancas eram ouvidas ou valorizadas.
Com os dados, a pesquisa identifica quatro principais barreiras que impedem o avanço das mulheres negras no mercado de trabalho.
O primeiro ponto abordado é o mito de que as profissionais não teriam a qualificação necessária. Outra barreira identificada pela pesquisa é que a maior parte das contratações no país são feitas por indicação, e não por processor seletivo.
De acordo com a pesquisa, 46% das mulheres negras ingressaram no seu trabalho atual de processo seletivo, contra 26% que entraram por indicação e 27% que entraram de outras maneiras.
Fonte: Folha de S.P.

09/11/2020 @ 16:36
Mil mulheres? Em plena pandemia? Nem dá pra considerar isso uma amostra. Escalonar os níveis de cargo, dentro da amostra, vai dar resultado igual ou parecido em qualquer outra, pois existem muito menos cargos de chefia do que cargos operacionais. Se fossem ouvidos mil homens o resultado seria muito semelhante. Ou vocês acham mesmo que iremos acreditar que em uma amostra com mil homens, vai haver 92% ocupando cargo de chefia e os 8% restantes divididos assistentes ou auxiliares, profissionais de administrativo ou operacional, analistas e estagiárias ou trainees?