Guerra: garota ucraniana desaparece após soldados russos assassinarem seus pais
Arina Yatsiuk, de 15 anos, está desparecida desde que foi arrastada por soldados russos que assassinaram seus pais. A ONG Magnolia recebeu mais de 2.600 pedidos de famílias e amigos de crianças desaparecidas desde o início da guerra em grande escala em fevereiro de 2022

Uma semana após a invasão da Rússia, a família de Arina Yatsiuk, de 15 anos, decidiu fugir da sua casa perto da capital ucraniana de carro. Menos de 16 quilômetros abaixo na estrada, eles encontraram um grupo de tropas russas.
Os soldados começaram a atirar, depois arrastaram Arina e sua irmã Valéria, de 9 anos, para fora do banco de trás. Arina foi ferida e colocada em um carro, enquanto Valéria foi conduzida a outro.
Valéria foi levada para um vilarejo próximo, onde os moradores a encontraram na beira da estrada. Denys e Anna, os pais das meninas, foram encontrados mortos a tiros em seu carro.
Em 3 de março de 2022 foi a última vez que alguém viu Arina. Ela é uma das 345 crianças ucranianas que desapareceram desde que a Rússia lançou sua guerra contra a Ucrânia em fevereiro passado, segundo estatísticas oficiais ucranianas.
O governo ucraniano diz que muitas das crianças desaparecidas foram levadas à força para a Rússia. O governo russo não nega levar crianças ucranianas – na verdade, diz que as está “salvando”.
A tia de Arina, Oksana Yatsiuk, disse que a família está procurando a menina de olhos castanhos e aparelho desde que ela desapareceu.
A família disse acreditar que a menina, que agora tem 16 anos, ainda está viva e é “mantida em cativeiro” na Rússia.
“Enviei cartas oficiais a todas as instalações médicas, ao Ministério da Saúde da Rússia, Bielorrússia e Ucrânia e a resposta oficial que recebi é que ela não foi registrada em nenhum lugar”, disse Yatsiuk à CNN em entrevista por telefone.
O desaparecimento de Arina ainda assombra Marina Lypovetska, chefe de projetos da Magnolia, uma ONG ucraniana especializada em casos de crianças desaparecidas.
“Ela é testemunha de um crime de guerra. Se sua irmã mais nova não entendeu que seus pais foram mortos, suponho que ela tenha entendido, ela mesma foi ferida e também é vítima de um crime de guerra”, disse Lypovetska à CNN em entrevista no escritório da ONG em Kiev.
A Magnolia recebeu mais de 2.600 pedidos de famílias e amigos de crianças desaparecidas desde o início da guerra em grande escala em fevereiro de 2022, mais do que o número total de ligações recebidas nos últimos 20 anos. Seus 18 funcionários trabalham dia e noite.
Eles estão em contato com as famílias das crianças desaparecidas, oferecendo ajuda psicológica e jurídica. O grupo também está conduzindo suas próprias buscas usando técnicas de inteligência de código aberto, apelos públicos e investigações nas redes sociais para coletar informações.
Fonte: CNN Brasil
