The Economist pede boicote mundial a carne e soja do Brasil

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A revista britânica alerta sobre desmatamento e lembra que a floresta Amazônica diz respeito ao mundo inteiro

O mundo está preocupado com o desmatamento da floresta Amazônica. Maior floresta tropical do mundo, ela está sendo ameaçada pelo atual governo com promessas de liberação de áreas protegidas para a mineração, esvaziamento do Ministério do Meio Ambiente, e ataques às ações de fiscalização do Ibama e de órgãos de monitoramento do desmatamento, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Somente em junho, foram destruídos 920,2 km² de floresta na Amazônia. O número representa um aumento de 88% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), serviço de alerta sobre o desmatamento e a degradação florestal na Amazônia Legal.

A revista britânica The Economist, em sua edição de agosto, sentencia: “Brasil pode salvar Amazônia ou destruí-la”. A revista alerta para o desmatamento acelerado e a importância da floresta para o mundo. “Em nenhum lugar as apostas são maiores do que na bacia amazônica – e não apenas porque contém 40% das florestas tropicais da Terra e abriga 10-15% das espécies terrestres do mundo”.

Os britânicos citam que desde que o presidente Jair Bolsonaro assumiu o cargo, as árvores estão desaparecendo a uma taxa equivalente a “duas vezes a área de Manhattan (EUA)” por semana, destaca a revista.

Dados do Inpe mostram uma escalada de 40% no desmatamento entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano, no comparativo com o mesmo período do ano anterior.

O The Economist lembra que a floresta Amazônica diz respeito ao mundo inteiro e não apenas ao Brasil, como afirmou Bolsonaro recentemente.

A revista britânica defende um boicote mundial à soja e à carne produzidas em terras ilegalmente exploradas da região. Também sugere que os parceiros comerciais do Brasil cobrem políticas comprometidas com a preservação da Amazônia.

A revista diz que o desmatamento não é um preço a ser pago pelo desenvolvimento e contesta o discurso governamental de que as políticas ambientais atrasam o progresso do Brasil. A produção brasileira de soja e carne bovina subiu entre 2004 e 2012, quando a derrubada de florestas diminuiu em 80%.

Os britânicos ainda deixam um recado para o presidente brasileiro: “Por todas estas razões, o mundo deveria deixar claro ao senhor Bolsonaro que não tolerará seu vandalismo”, alerta a revista.