Transformando Territórios: programa estimula a filantropia comunitária no Brasil

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A proposta da filantropia comunitária é atuar em diversas causas sociais dentro de um território, com apoio de atores locais; conheça o Transformando Territórios, programa do IDIS que fortalece Fundações e Institutos Comunitários de todo o país

filantropia comunitária
Foto: Adobe Stock

Da Redação

Pequenas ONGs e projetos sociais fazem a diferença em suas comunidades, arrecadando doações para causas sociais e garantindo os direitos humanos da população. No entanto, essas organizações enfrentam dificuldades para exercer suas atividades, devido a falta de recursos. Nos últimos dois anos, essa foi a realidade para mais de 14% das ONGs que atuam em periferias no Brasil.

É com objetivo de fortalecer financeiramente as organizações do terceiro setor presentes dentro de um território, que Fundações e Institutos Comunitários (FICs) foram criados. As FICs trabalham dentro de um bairro, região ou cidade, na solução de diversos problemas sociais. Diferentes das ONGs, elas não executam projetos sociais, e sim os apoiam, destinando recursos ou realizando a capacitação dos atores.

Neste ano, o Brasil passou a ter 13 Institutos e Fundações Comunitárias e cinco iniciativas em desenvolvimento para atuar neste modelo. O crescimento das FICs se deu graças ao Transformando Territórios, um programa do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) junto a Charles Stewart Mott Foundation, que busca incentivar a criação de FICs e fortalecer as que já existem.

Ao participar do programa, as FICs desenvolvem metas e trabalham para atingi-las. Por sua vez, o Transformando Territórios fornece consultorias individuais, palestras, capacitações, cursos, viagens e intercâmbios de conhecimento. Além disso, buscam apoiadores para as instituições, divulgam o trabalho de cada uma e promovem relatórios e artigos sobre filantropia comunitária, dando visibilidade ao modelo.

PAPEL DAS FUNDAÇÕES COMUNITÁRIAS NA SOCIEDADE CIVIL

Em entrevista para o Observatório do Terceiro Setor, a gerente de projetos do IDIS, Whilla Castelhano, explica que a principal razão do impacto das fundações comunitárias são os investimentos transversais.

“O que potencializa o impacto das FICs é o papel como ‘grantmaker’ ou financiador de projetos e ações de impacto no território. Uma FIC pode identificar que a demanda prioritária da sua região é trabalhar a conscientização sobre reciclagem. Desta forma, ela pode investir em projetos que trabalhem com crianças do ensino fundamental, associações e coletivos de reciclagem, projetos sociais com artesãos que utilizem materiais recicláveis para confecções”.

Um exemplo de sucesso é a Federação das Fundações e Associações do Espírito Santo (FUNDAES). Desde sua integração no programa do IDIS, a FIC oferece apoio para sete projetos sociais de diferentes causas, localizados em seis municípios do estado. No entanto, o Brasil ainda enfrenta um grande desafio: a construção de uma cultura de doação e engajamento social local.

De acordo com Whilla, os brasileiros têm um processo de doação muito voltado para os beneficiários diretos. E quando se trata de FICs, a doação é feita para uma organização ponte que financiará projetos em diferentes temas, o que gera confusão ou a percepção de que as FICs são somente mais um intermediário no processo. “As FICs possuem um desafio duplo que é de gerar engajamento social para que as pessoas queiram participar ativamente do próprio território e de criar uma cultura de doação com um novo olhar para a doação”.

Em setembro deste ano, o IDIS realizou o Seminário Transformando Territórios em São Paulo. O evento reuniu participantes do programa, filantropos e apoiadores da filantropia comunitária; o objetivo foi debater sobre o impacto das FICs no Brasil. Além de promover palestras e capacitações, a ocasião também contou com visitas a projetos apoiados pelo Instituto Cacimba.

Por contribuir para diferentes causas sociais, o Transformando Territórios e as Fundações de filantropia comunitária estão alinhados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. O conjunto de 169 metas busca incentivar a prática de atividades sustentáveis, o combate às mudanças climáticas e a desigualdade.


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