Castelinho da rua Apa: um mistério que até hoje aterroriza SP

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Lenda urbana ou só uma tragédia familiar? Até hoje o mistério continua e o castelinho da rua Apa é um dos pontos turísticos que dizem assombrados da capital paulista.

Castelinho rua Apa, famoso por um crime repleto de mistérios | Foto: Wikimedia Commons

Quem mora na capital paulista com certeza já ouviu falar do Castelinho da rua Apa. Um imóvel localizado na esquina da Rua Apa com a Avenida General Olímpio da Silveira, ao lado do Elevado Presidente João Goulart, popularmente conhecido como Minhocão, na cidade de São Paulo. Trata-se de uma construção residencial de 1912. Até 1937, foi propriedade da família Dos Reis, composta por Virgilio Guimarães dos Reis, o pai, Maria Cândida Guimarães dos Reis, a mãe, e os filhos Armando César dos Reis e Álvaro dos Reis. Após uma tragédia familiar, um crime até hoje repleto de mistérios, o imóvel ficou sem herdeiros e passou para o patrimônio do Governo Federal.

Os habitantes da peculiar residência eram uma família importante e influente na cidade à época. Donos do Broadway, um cinema na própria Avenida São João, a matriarca Maria Cândida Guimarães dos Reis tinha 73 anos era uma socialite fervorosamente dedicada à religião desde que perdera o marido, o médico Virgílio César dos Reis, pouco tempo antes do ocorrido que chocou a São Paulo da década de 30.

Os dois filhos da abastada família também eram conhecidos pela alta sociedade paulistana. Álvaro, com 45 anos, era advogado, e patinador . Gostava de festas, mulheres e viagens, chegou a ser recordista mundial nos patins. O irmão Armando, 43, também se enveredou pelos caminhos do direito, mas, em questão de personalidade, era o contraponto para o estilo do irmão.

Essa divergência entre os dois, segundo consta, foi o gatilho para o famoso crime. Após a morte do pai e uma viagem à Europa, Álvaro queria fechar o cinema para instalar um ringue de patinação. Armando, responsável pelas finanças da família, negava, alegando que isso não seria uma garantia de retorno como era o Broadway.

A gota d’água veio em maio de 1937. Os dois irmãos teriam discutido, os ânimos se exaltaram e eles apontaram armas um para o outro. A mãe veio apartar, e esse foi o estopim.

De acordo com a versão oficial, Álvaro foi o culpado: baleou fatalmente a mãe e o irmão e, caindo em si, suicidou-se com dois tiros no peito, método pertinente a quem deixa a vida para entrar pra história. Porém, algumas provas e circunstâncias levam muitos a acreditar que não foi bem assim, inclusive Leda Kiehl, sobrinha-neta de Maria Cândida e autora do livro O Crime do Castelinho: Mitos e Verdades, de 2015.

Leda teria escrito o livro porque houve uma contestação enorme — corroborada, inclusive, pelo laudo do IML — sobre a versão oficial da polícia. A pistola de Álvaro foi encontrada na cena e, para os policiais, foi o fator incriminante. Porém, o método de seu suicídio já era incomum o suficiente e, além disso, os legistas encontraram vestígios de pólvora na mão de Armando, e, para eles, o mais novo dos irmãos tinha sido o autor.

Há, ainda, outra hipótese: segundo os médicos, a mãe teria sido assassinada com quatro tiros, e não três como consta no laudo policial. Duas das balas seriam de uma arma de calibre diferente da pistola de Álvaro, o que indicaria a presença de uma quarta pessoa e tornaria o crime uma chacina encomendada.

A polícia descobriu, também, papéis assinados pelo filho mais velho que demonstravam que sua situação financeira era mais delicada do que parecia às vistas, mas seus credores nunca foram encontrados e poderiam estar por trás de tudo.

O Castelinho da Rua Apa passou por um imbróglio judicial e, abandonado, acabou passando para as mãos do Estado. A deterioração só contribuiu para as lendas, e pessoas dizem ouvir passos, choros e lamúrias dos espíritos dos mortos no lugar.

Hoje, o Castelinho é administrado pela ONG Clube das Mães do Brasil, e foi restaurado no período de 2015 a 2017. Mesmo assim, a lenda permanece. Lenda urbana ou só uma tragédia familiar? Até hoje o mistério continua e o castelinho da rua Apa é um dos pontos turísticos que dizem assombrados da capital paulista.

Fontes: Aventuras na História e Wikipédia