Calotas polares estão a meio grau para entrar em colapso e desencadear tragédias
As calotas polares, cujo derretimento elevaria os oceanos, podem entrar em colapso com meio grau de aquecimento adicional do clima

As calotas polares, cujo derretimento elevaria os oceanos em muitos metros, podem entrar em colapso com meio grau de aquecimento adicional do clima, de acordo com estudos recentes que confirmam suas fragilidades. As calotas polares da Groenlândia e da Antártida perderam mais de 500 bilhões de toneladas por ano desde 2000, o que equivale a seis piscinas olímpicas a cada segundo. O que pode desencadear várias tragédias pelo mundo.
Os modelos climáticos até agora subestimaram a contribuição destas calotas para o risco de elevação do nível do mar, contabilizando apenas o efeito do aumento da temperatura do ar no gelo – e negligenciando as interações complexas entre a atmosfera, os oceanos, as calotas polares e certas geleiras.
O estudo dos cientistas, publicado esta semana na revista Nature Communication, também aponta quando o derretimento desenfreado e a desintegração incontrolável dessas camadas de gelo podem ocorrer.
“Nosso modelo tem limiares entre 1,5°C e 2°C de aquecimento – sendo 1,8°C nossa melhor estimativa – para acelerar a perda de gelo e o aumento do nível do mar”, explicou Fabian Schloesser, da Universidade do Havaí, coautor do estudo. As temperaturas já subiram quase 1,2°C em todo o mundo desde a era pré-industrial.
Os cientistas já sabem há muito tempo que os mantos de gelo da Antártica Ocidental e da Groenlândia – que podem elevar o nível do mar em até 13 metros a longo prazo – têm “pontos de inflexão” além dos quais sua desintegração seria inevitável. Mas as temperaturas associadas a esse fenômeno nunca haviam sido identificadas com precisão.
Uma expedição de cientistas britânicos e americanos perfurou um buraco equivalente a duas Torres Eiffel (600 metros) de profundidade através da espessa camada de gelo empurrada por Thwaites para o Mar de Admundsen. Eles descobriram sinais de erosão acelerada – com formações em forma de escada invertida –, além de rachaduras abertas pela água do mar.
“A água quente se infiltra nas rachaduras e contribui para o desgaste da geleira em seu ponto mais fraco”, revela Britney Schmidt, autora de um dos estudos e professora da Cornell University, em Nova York.
Outro estudo, publicado na Earth’s Future, aponta que a elevação dos oceanos destruirá terras aráveis e fontes de água potável e forçará milhões de pessoas ao exílio antes do esperado.
“O tempo que temos para nos preparar para uma maior exposição a inundações pode ser muito menor do que se supunha anteriormente”, concluem os autores.
Dezenas de milhões de pessoas estão particularmente vulneráveis nas áreas costeiras de países como Bangladesh, Paquistão, Egito, Tailândia, Nigéria ou Vietnã.
Fonte: Opera Mundi/ UOL
