Crise climática aumentou casamentos infantis no Paquistão

Direitos Humanos
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As enchentes severas que castigam o Paquistão fez aumentar uma prática  terrível para as meninas paquistanesas, o casamento infantil. Meninas estão sendo entregues por seu pais para casamento com homens bem mais velhos. Pouco antes das chuvas de monções chegarem ao Paquistão, Shamila e sua irmã Amina, de 14 e 13 anos, foram entregues ao casamento por seus pais em troca de dinheiro para ajudar a família a se preparar para as enchentes; como elas, muitas meninas estão passando pela mesma situação.

Imagem: Adobe Stock

As enchentes severas que castigam o Paquistão fez aumentar uma prática  terrível para as meninas paquistanesas, o casamento infantil. Pouco antes das chuvas de monções chegarem ao Paquistão, Shamila e sua irmã Amina, de 14 e 13 anos, foram entregues ao casamento por seus pais em troca de dinheiro para ajudar a família a se preparar para as enchentes.

O elevado número de casamentos de meninas menores de idade no Paquistão vinha se reduzindo nos últimos anos. Porém, após enchentes sem precedentes em 2022, ativistas de direitos humanos garantem que esta prática volta a aumentar estimulada pela insegurança financeira vinculada aos fenômenos climáticos extremos.

“As famílias buscaram qualquer meio de sobrevivência. O primeiro e mais óbvio foi casar suas filhas em troca de dinheiro”, declara Mashooque Birhmani, fundador da ONG Sujag Sansar, que combate o casamento infantil.

Na cidade de Khan Mohammad Mallah, onde Shamila e Amina se casaram em junho, 45 menores de idade se tornaram esposas desde as últimas monções.

“Antes das chuvas de 2022, não havia necessidade de casar meninas tão jovens nesta região”, diz o morador Mai Hajani, de 65 anos.

Dados Globais Sobre Casamento Infantil

Relatório da UNICEF – 2023:

  • 12 milhões de meninas são casadas antes dos 18 anos a cada ano em todo o mundo.
  • Aproximadamente 1 em cada 5 meninas em países em desenvolvimento se casa antes dos 18 anos.
  • O casamento infantil é mais prevalente em regiões como o Sul da Ásia, onde cerca de 45% das meninas são casadas antes dos 18 anos.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2022 apoonta que  em algumas regiões da África Subsaariana, 40% das meninas são casadas antes dos 18 anos.

O Relatório do Banco Mundial de 2021 indica que o casamento infantil afeta cerca de 21% das meninas na América Latina e no Caribe.

Casamento Infantil no Brasil

O Brasil registra, em média, 43 casamentos de menores de 18 anos a cada dia, sendo 40 de adolescentes do sexo feminino, de acordo com análise da Folha a partir de dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Somente em 2022, foram contabilizados 15,8 mil casamentos infantis, uma queda de 12% na comparação com 2021. Em 2022, os cartórios ainda registraram 260 casamentos com adolescentes de 15 anos ou menos.

Historicamente, esse tipo de união afeta, com maior intensidade, a vida das meninas, na faixa etária de 16 anos (5.821 casos) e de 17 anos (8.387 registros). A maior parte delas (95,4%) se casa com parceiros maiores de 18 anos, aponta o relatório da Estatística de Registro Civil do instituto.

Já a união civil com algum adolescente do sexo masculino somou 1.396 casos em 2022. A maioria dos casos envolveu pessoas de 17 anos (1.058).

 

ONG alerta sobre subnotificação e pede combate ao casamento infantil no Brasil

Em audiência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados no ano passado, a advogada Mariana Zan, representante do Instituto Alana, afirmou que os dados existentes sobre o casamento infantil no Brasil são alarmantes, mas não correspondem à realidade por causa da subnotificação. Ela ressaltou que, por ser uma grave violação dos direitos humanos, a prática deve ser combatida por toda a sociedade.

“Não cabe só ao Estado, não cabe só às famílias, que no Brasil temos uma cultura de culpabilizar muito as famílias. E cabe sobretudo a nós também como comunidade, pessoas que não tenham filhos e filhas, mas é um compromisso enquanto sociedade, enquanto coletividade proteger os direitos de crianças e adolescentes”, afirmou a advogada, durante a audiência realizada.

 

 

 Fontes: UOL e Câmara dos Deputados