ONG ajuda vítimas de violência sexual a denunciarem agressores
Direitos HumanosO trabalho da ONG Me Too Brasil foi responsável por denunciar supostos assédios sexuais cometidos por figuras públicas, como Silvio Almeida. O ex-Ministro foi afastado da pasta dos Direitos Humanos, do Governo Federal, após a divulgação de nota do Me Too, que afirma ter recebido acusações de violência sexual de mulheres contra ele.

Na última semana, a ONG Me Too publicou uma nota relatando denúncias de assédio contra o, até então, Ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida. Criada para dar voz às mulheres vítimas de violências sexuais, o Me Too atua no Brasil desde 2019, tendo possuído papel importante na denúncia de diversos casos de assédio. Além do Silvio Almeida, a organização colaborou com a divulgação dos escândalos envolvendo o reitor da PUC Rio de Janeiro, o padre Alexandre Paciolli Moreira de Oliveira e o juiz trabalhista Marcus Scalércio.
Conforme a nota publicada pelo Me Too, mulheres afirmam terem sido vítimas de assédio sexual pelo ex-Ministro dos Direitos Humanos. A organização também afirma que houve consentimento das vítimas para a publicação da nota e informa que as atendeu por meio dos canais de organização, oferecendo acolhimento psicológico e jurídico.
Durante o texto de divulgação, o Me Too Brasil destacou a importância da organização no suporte às vítimas de assédio, principalmente nos abusos cometidos por agressores poderosos ou influentes. “Como ocorre frequentemente em casos de violência sexual envolvendo agressores em posições de poder, essas vítimas enfrentaram dificuldades em obter apoio institucional pra a validação de suas denúncias”, afirmou a nota.
Após as acusações de assédio, Silvio Almeida foi demitido do seu cargo de ministro. “O presidente considera insustentável a manutenção do ministro no cargo considerando a natureza das acusações de assédio sexual”, disse a nota da Presidência. No entanto, o ex-Ministro nega que tenha cometido qualquer ato de assédio e, em um vídeo divulgado por ele, Silvio afirma que é preciso que os fatos sejam expostos para serem apurados e processados, e não apenas “baseados em mentiras, sem provas”.
O Me Too Brasil é inspirado na entidade norte-americana com este mesmo nome, atuando no Brasil como ONG desde 2020. Criada por grupo de advogadas, a organização conta com o apoio de 420 voluntários, focados na prestação de apoio e atendimento às vítimas de violência sexual por meio de seus canais de escuta especializados.
A atuação da ONG acontece ao nível nacional, oferecendo escuta e acolhimento no seu site e por telefone (0800 020 2806). Vale destacar que a entidade mantém os fatos e a identidade das vítimas em sigilo, divulgadas publicamente apenas com o consentimento delas e aprovação da equipe técnica responsável pelo processo de acolhimento.
O trabalho do Me Too Brasil colabora diretamente com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Sobretudo, com o ODS 5 (Igualdade de gênero) que, na meta 5.2 prevê a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres e meninas nas esferas públicas e privadas, incluindo o tráfico e exploração sexual e de outros tipos.
