Pesquisadores criam dispositivo que auxilia deficientes visuais a detectarem obstáculos
Direitos HumanosA deficiência visual foi tema do programa Brasil ODS, no mês de maio; durante o programa, convidados falaram sobre o dispositivo vestível, capaz de detectar obstáculos acima da cintura, e outros assuntos como acessibilidade, preconceito e mobilidade

Por Lucas Neves
Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) desenvolveram um dispositivo vestível que auxilia deficientes visuais na identificação de obstáculos. O programa Brasil ODS recebeu Aline Darc Piculo dos Santos, professora doutora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU-USP), uma das autoras do estudo que criou o dispositivo de acessibilidade.
Desenvolvido com apoio das Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e Espírito Santo — Fapesp e Fapes — e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o dispositivo é compõe um sistema integrado a uma mochila, com câmeras e sinalizadores táteis. Por meio de uma vibração, o aparelho alerta a presença de objetos acima da linha da cintura.
Durante o Brasil ODS, Aline afirmou que a proposta da mochila é “ser um dispositivo complementar à bengala tradicional”. Isso porque a bengala não consegue detectar obstáculos próximos às regiões superiores do corpo, podendo ocasionar acidentes.
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Terceiro Setor em prol dos deficientes visuais
Além de Aline, o episódio contou com a presença de Silverlei Silvestre, professor de Orientação e Mobilidade na Laramara — Associação Brasileira De Assistência à Pessoa com Deficiência Visual. A Laramara é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, cujo foco é promover o desenvolvimento integral da pessoa com deficiência visual.
Entre os temas debatidos, Silvestre falou sobre a mobilidade urbana na cidade de São Paulo, onde a Laramara está localizada. “Ao longo desses anos, o que a gente mais procura é adequar o trajeto entre a estação de metrô e a instituição”, comentou.
Nesse sentido, ele destacou a importância de calçadas acessíveis e artifícios como pisos táteis. Segundo Silveira, essas ferramentas de mobilidade são fundamentais para proporcionar autonomia aos deficientes visuais, principalmente no acesso dessas pessoas ao transporte público.
Além do dispositivo criado pelos pesquisadores e da atuação do Laramara, o programa Brasil ODS abordou diversos temas pertinentes à situação dos deficientes visuais. Nesse sentido, o jornalista e apresentador, Joel Scala, também conversou com Silvestre e Aline sobre temas como: políticas públicas, preconceito e acessibilidade.
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
Além dos convidados, o Brasil ODS recebeu os colunistas Paulo Almeida, Nina Orlow e Gabriela Chabbouh, todos especialistas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este programa colabora com o ODS 3 (Saúde e Bem-Estar), cujo objetivo é garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, e com o ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), que busca tornar as cidades e comunidades mais inclusivas, seguras, resilientes e sustentáveis.
Brasil ODS
O Brasil ODS é uma produção do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, que conta com o apoio da Fapesp — Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Ele vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 16h na Rádio Brasil de Fato.
