Olhar da Cidadania debate o autismo e a inclusão no Brasil
Direitos HumanosO programa recebeu a psicóloga Priscilla Brandi Gomes Godoy, para debater temas como educação, inclusão e preconceito; no Brasil, são mais de 2,4 milhões de pessoas com autismo

Por Lucas Neves
Existem cerca de 2,4 milhões de pessoas com autismo no Brasil, segundo o Censo Demográfico 2022, do IBGE. Em maio, o programa Olhar da Cidadania recebeu a psicóloga Priscilla Brandi Gomes Godoy para falar sobre o autismo e a inclusão social no país.
Apresentado por Joel Scala, o programa do Observatório do Terceiro Setor abordou diversos temas pertinentes ao contexto do autismo. Durante a entrevista, Priscilla comentou sobre a desinformação a respeito do Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Segundo ela, essa situação não é exclusividade do Brasil, mas sim um fenômeno mundial. “Por muito tempo, todas as condições que expunham uma alteração de comportamento eram escondidas pelas famílias”, disse.
Esse problema histórico, de abafar e esconder comportamentos atípicos, aumentou a geração de estigmas sobre o TEA e outros transtornos, acredita Priscilla. No entanto, ela vê uma mudança significativa de cenário nos últimos anos, graças à evolução da medicina e ao crescimento de pesquisas e estudos acadêmicos.
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Educação e o autismo
Outro tema de destaque na conversa entre Scala e Priscilla foi a educação. O apresentador perguntou a respeito da situação educacional brasileira no contexto de suporte às crianças com TEA. Nesse sentido, a psicóloga afirmou se tratar de um assunto delicado, que exige cuidado ao ser abordado.
Para Priscilla, é preciso prestar atenção para não jogar toda a carga crítica nos educadores. Afinal, eles enfrentam uma série de desafios estruturais, que dificultam a execução de suas atividades educacionais.
Ela acredita que uma educação mais individualizada poderia ser a solução para lidar não só com crianças e adolescentes com TEA. “Cada um aprende de uma forma e, quando a gente pensa em neurodiversidade, estamos exatamente contando isso. As pessoas funcionam, aprendem e se comportam de formas diferentes”, disse.
Apesar disso, ela reconhece as dificuldades de implementação desse modelo no contexto atual das escolas, onde um único professor fica responsável por dezenas de estudantes. “Como o professor consegue dar conta da individualidade necessária para cada criança, principalmente quando temos crianças atípicas na turma?”
Priscilla Brandi Gomes Godoy, psicóloga e mestre pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e doutora pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP. Atualmente é coordenadora do serviço de Neuropsicologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e trabalhando em seu pós-doutorado no Instituto de Psicologia da USP com pesquisas na área de neurociências da neurodiversidade e na implementação no Brasil da Paediatric Autism Communication Therapy – PACT (Terapia de Comunicação para Autismo Pediátrico).
Fora Priscilla, essa edição do Olhar da Cidadania contou com falas do colunista Christian Dunker, psicanalista e professor titular do Instituto de Psicologia da USP e, Paulo Artaxo professor titular e chefe do Departamento de Física Aplicada do Instituto de Física da USP.
Olhar da Cidadania
O Olhar da Cidadania é apresentado pelo jornalista Joel Scala e transmitido às quintas-feiras, às 13h30, pela Rádio USP, mas você pode escutar o programa completo aqui no portal do Observatório do Terceiro Setor. Para ouvir na rádio, basta sintonizar 93,7 FM, em São Paulo, ou 107,9 FM, em Ribeirão Preto.
