Recifran, do Sefras, completa 22 anos com mais de mil vidas transformadas
Impacto das ONGs
O Recifran – Serviço Franciscano de Apoio à Reciclagem, realizado pelo Sefras (Ação Social Franciscana) na capital paulista, completa 22 anos em 2025 com um impacto expressivo: mais de mil pessoas em situação de vulnerabilidade já passaram pelo projeto. A iniciativa alia educação ambiental, capacitação profissional e geração de renda a partir da reciclagem, transformando o destino de resíduos e de vidas.
Ao longo dessas duas décadas, participantes do Recifran aprendem sobre sustentabilidade, descarte correto de resíduos e triagem de materiais recicláveis. Com esse conhecimento, muitos retornam aos estudos, conquistam vagas no mercado de trabalho e superam situações de rua e exclusão social.
É o caso de Valéria, uma das participantes atuais. “Para mim, o Recifran é muito importante, pois está me dando uma nova oportunidade, de recomeçar, voltar a estudar e fazer cursos. Assim, vou me recolocando no mercado de trabalho novamente”, conta.
Para o Frei Vagner Sassi, diretor-presidente do Sefras, o Recifran vai além da capacitação. “É um espaço para aprendizados, recomeços, acolhimento e recuperação de autonomia dos nossos irmãos mais vulneráveis, que por muito tempo foram invisibilizados. Ao longo dos encontros, percebemos uma mudança no comportamento deles: passam a ter mais autoestima e autonomia para seguir em frente”, afirma.
O projeto teve início em 2002, quando frades franciscanos passaram a atuar, durante a noite, com famílias de catadores na Praça Paulo Duarte, no centro de São Paulo. Em 24 de junho de 2003, foi inaugurada a sede do Recifran, com pátio, estrutura administrativa, banheiros e vestiários, com capacidade para atender até 50 pessoas por turma.
Atualmente, cerca de 40 participantes integram cada turma do Recifran. Os grupos são formados quinzenalmente, a partir da mobilização de pessoas atendidas por outros serviços do Sefras, como a Casa Franciscana Cambuci e o Chá do Padre.
Além do impacto social, o Recifran contribui diretamente com o meio ambiente. Em parceria com cooperativas de reciclagem, o projeto evita que resíduos recicláveis sejam descartados em aterros sanitários. Somente no ano passado, foram recicladas 219 toneladas de lixo urbano — sendo papelão (49%), vidro (20%), plástico (15%), metal (7%) e papel (5%).
A ação conta com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania, do Instituto Muda e da Universidade Presbiteriana Mackenzie.
