Onde Está o Dinheiro no Terceiro Setor?
Captação de Recursos
Por Tito Santana
Você sabia que o terceiro setor representa cerca de 4,27 % do PIB brasileiro e gera 6 % dos empregos formais no país? Mesmo com esse peso econômico, boa parte das organizações vive contando moedas. Mas, afinal, onde está todo esse dinheiro que poderia transformar vidas e comunidades?
- Fontes de Recursos
No Capítulo 2 de Não Devolvemos Dinheiro!, apresentamos as principais origens de recursos para as OSCs: doações de pessoas físicas e jurídicas, fundos governamentais, editais de agências públicas e privadas, patrocínios corporativos, leis de incentivo fiscal e emendas parlamentares. Cada uma dessas vertentes exige uma abordagem distinta: enquanto o patrocínio privado requer uma proposta de valor alinhada à marca do apoiador, as emendas demandam articulação política e conhecimentos técnicos de prestadores de contas. Entender essas diferenças é o primeiro passo para não deixar nenhuma oportunidade passar.
- Desperdício e Devolução
Dados do Painel Gerencial do Transfere Gov revelam um cenário alarmante: de R$ 9,2 bilhões liberados para emendas parlamentares federais, R$ 555,7 milhões foram devolvidos aos cofres públicos por falta de capacidade técnica na execução e prestação de contas. Além disso, 32,5 % das emendas foram rejeitadas ou barradas antes da liberação dos recursos, muitas vezes por erros simples de documentação ou cronograma. Esse “dinheiro que volta” poderia financiar centenas de projetos sociais e evitar o colapso de serviços essenciais em áreas vulneráveis.
- Como Rastrear e Acessar
Para reverter esse ciclo, é essencial adotar um mapa atemporal de captação que funcione hoje e valerá por anos. O livro traz um roteiro em três passos:
- Mapear oportunidades — liste todas as fontes plausíveis (editais, leis de incentivo, emendas) e suas regras de elegibilidade;
- Ajustar seu discurso — entenda o que cada financiador busca e adapte seu projeto à linguagem e aos indicadores de impacto desejados;
Construir relacionamento — envolva parlamentares, órgãos públicos e doadores desde o planejamento, apresentando o propósito e convidando-os a conhecer “in loco” suas iniciativas
Com essa estratégia, sua organização deixa de depender do acaso e passa a navegar o ecossistema de recursos com confiança.
Você já mapeou todas as fontes de captação disponíveis para o seu projeto? Sem um diagnóstico claro, muitas organizações perdem oportunidades de financiamento logo no início. No livro Não Devolvemos Dinheiro!, apresento um inventário completo das cinco grandes categorias de recursos que sustentam o terceiro setor – e mostro como você pode aproveitar cada uma delas de forma estratégica.
As principais fontes são:
- Receita própria (serviços, cursos e consultorias);
- Doações e patrocínios de pessoas físicas e empresas;
- Fundos públicos (municipais, estaduais e federais);
- Leis de incentivo (Rouanet, Incentivo ao Esporte, Cultura, Criança e Adolescente);
- Emendas parlamentares (individuais e de bancada).
Cada uma delas tem regras, prazos e níveis de complexidade distintos.
Para priorizar, comece pelos recursos mais acessíveis à sua realidade. Se você já oferece serviços — como formações ou consultorias — avalie quanto isso pode gerar de caixa imediato. Em seguida, avalie donativos: são mais rápidos, mas geralmente menores em valor. A partir daí, escale sua estratégia para leis de incentivo (iniciais no âmbito municipal) e, por fim, tenha em vista as emendas parlamentares, que costumam demandar maior articulação política e tempo de aprovação.
Dica express do livro: “Quem não comunica seu valor, automaticamente reduz o potencial de captação.” (p. 82) Apresente sempre um panorama de resultados esperados e indicadores de sucesso — isso diferencia sua proposta no meio de tantas concorrências.
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Com gratidão, Tito Santana.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor
Sobre o autor: Tito Santana é autor, palestrante e Forbes Under 30 na categoria Empreendedor Social e Terceiro Setor. Fundador da PROJETUS com 15 anos de experiência no terceiro setor, ele já gerenciou mais de R$ 200 milhões e criou mais de 400 projetos.
