Fundação ArcelorMittal investe em educação para promover impacto social
Impacto das ONGsEm entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, a diretora executiva da Fundação ArcelorMittal, Camila Valverde, fala do potencial de impacto de fundações empresarias e afirma que a ArcelorMittal deve aumentar investimentos em educação

Por Lucas Neves
A Fundação ArcelorMittal é uma organização focada em direcionar os investimentos sociais do Grupo ArcelorMittal, um dos maiores produtores de aço do Brasil. Entrevistada pelo Observatório do Terceiro Setor (OTS), Camila Valverde, diretora executiva da organização, ressalta o impacto que a fundação empresarial pode causar na sociedade.
Camila entrou no cargo de direção executiva em julho de 2024. “Fiquei grata pelo convite que recebi no ano passado para assumir esse cargo e encarei com um grande desafio, pela autonomia que a posição dá e pelo potencial de transformação social que acredito que uma fundação empresarial consegue ter”, comenta.
Atuação da ArcelorMittal
Camila destaca a longevidade da fundação, que atua há quase 37 anos no campo social. Segundo ela, a ArcelorMittal possui trabalho de impacto consistente, com excelentes lideranças conduzindo a organização até o momento atual.
“A fundação teve excelentes lideranças que a trouxeram até aqui, todas elas eram masculinas e de dentro da própria organização. Então, foi a primeira vez numa movimentação do grupo ArcelorMittal que trouxeram uma mulher de fora, do mercado de trabalho, para contribuir com o avanço da fundação e com tudo que ela pode agregar ao negócio no campo social”, destaca.
A Fundação ArcelorMittal busca alavancar o desenvolvimento social atuando nas áreas de educação, esporte e economia circular. Para executar as suas ações sociais, a organização realiza a metodologia chamada de “diagnóstico socioambiental”.
Esse modelo, considerado motivo de orgulho para Camila, consiste na escuta das comunidades atendidas, buscando entender as demandas e desejos das populações antes de aplicar uma ação social.
“Eu tenho muito orgulho disso, de não construir e elaborar algo exclusivamente das nossas cabeças, mas sim do que o território sinaliza que é uma demanda. Obviamente, fazemos uma análise aqui para entender como a gente pode endereçar esse tema da melhor forma possível”, conclui Camila.
Além disso, a diretora executiva da fundação salienta a importância de trabalhar com parceiros. De acordo com ela, uma única entidade, seja ela governamental, empresa ou uma organização social, não é capaz de resolver todas as demandas de um território.
“A articulação e as estratégias de colaboração com outros atores são fundamentais para promovermos o desenvolvimento do território, a Fundação tem feito isso” — Camila Valverde
Foco na educação
A educação é a principal frente da Fundação ArcelorMittal, com planos para aumentar ainda mais o investimento nessa área até 2030. A estratégia de educação é executada a partir do método conhecido como Abordagem STEAM. “É uma metodologia que integra ciências, tecnologia, engenharia, artes e matemática na sala de aula”.
Camila comenta que a fundação auxilia os professores a se sentirem aptos e mais empoderados a trazerem a Abordagem STEAM com as crianças, despertando nelas a vontade de seguir carreiras nas áreas de atuação promovidas.
Nesse sentido, a fundação realiza o projeto Liga STEAM, buscando conectar parceiros e somar forças para o investimento em educação no Brasil. Segundo a ArcelorMittal, foram 230 mil pessoas alcançadas por essa iniciativa, somente em 2024.
Além disso, Camila lembra das conquistas da Liga Steam em 2025. “Este ano, o Liga Steam teve um dos cursos aprovados pelo AVAMEC. Ele está disponível no portal para professores de todo o Brasil, de forma gratuita”.
A jornada de Camila Valverde

Camila também conta mais sobre sua jornada profissional, que a levou até a direção executiva da Fundação ArcelorMittal. Ela possui experiência sólida em temas como: sustentabilidade, responsabilidade social, desenvolvimento de projetos alinhados à estratégia de ESG do negócio e operações no varejo.
Apesar da experiência e paixão por temas sociais e de sustentabilidade, ela diz ter passado 7 anos fora deste segmento, atuando na área de operação de negócios. Camila lembra deste período como intenso, mas de muito aprendizado.
Segundo ela, o conhecimento adquirido neste período agregou na sua atual experiência em uma fundação empresarial. Afinal, ao entender o funcionamento de um negócio, com um olhar mais acurado do social e do ambiental, Camila acredita ser possível “abrir os horizontes e até falar a linguagem de quem está liderando”.
“Se a gente quer que as empresas, e seus institutos e fundações, tenham uma visão de mais impacto, a gente precisa falar a linguagem do negócio, precisa entender o negócio” — Camila Valverde
Antes de entrar para a Fundação ArcelorMittal, ela também atuou como diretora de impacto do Pacto Global da ONU. Essa iniciativa das Nações Unidas visa mobilizar empresas e organizações a adotarem práticas sustentáveis e responsáveis em suas operações, alinhadas com os princípios universais de direitos humanos.
