Valor doado por indivíduos bateu recorde em 2024, totalizando mais de R$ 24 bilhões
Cultura de DoaçãoA revelação é da Pesquisa Doação Brasil, coordenada pelo IDIS Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e realizada pela Ipsos, lançada nesta quarta-feira, dia 6 de agosto

Por Andrea Wolffenbuttel
Esta quarta edição da pesquisa mostrou que 78% dos brasileiros fizeram algum tipo de doação em 2024, sendo que 43% doaram para organizações ou iniciativas sociais (doadores institucionais, no gráfico abaixo). Este percentual é bastante próximo ao registrado em 2015, que depois caiu, com a crise gerada pela pandemia e pós-pandemia.

A pesquisa apurou que o ticket médio doado pelos brasileiros, em 2024, cresceu para R$ 480 ao ano, contra R$ 300, em 2022.
Considerando o aumento no percentual de doadores, somado ao valor médio maior, o volume total de doações feitas por indivíduos atingiu a cifra de R$ 23,4 milhões, superando a marca anterior, de 2015, que era de R$ 23,9 bilhões(já corrigido pela inflação).
Perfil demográfico dos doadores
A Pesquisa Doação traçou o perfil demográfico do doador de dinheiro para instituições sociais e as principais características são as seguintes.
POR REGIÃO
Pela primeira vez, a região Norte aparece como a mais doadora, posição tradicionalmente ocupada pela região Nordeste. Em 2024, 49% da população da região Norte fez doações, seguida pela região Nordeste, com 44%, região Sul, com 43%, e regiões Sudeste e Centro-Oeste, com 41%. Mas vale registrar que a região Centro-Oeste apresentou um crescimento de 9 pontos percentuais em relação à 2022.
DESTAQUE: REGIÃO NORTE FOI A MAIS DOADORA EM 2024
IDADE
A faixa etária adulta (de 30 a 49 anos de idade) se consolidou como o grupo mais doador. Anteriormente, os grupos com idades mais altas, com 50 anos ou mais, costumavam ser os mais doadores.
RENDA
Pela primeira vez, o percentual de doadores, nas faixas de renda, atinge e supera os 60%. No grupo com renda familiar acima de 8 salários-mínimos, 63% doaram dinheiro para organizações ou iniciativas sociais em 2024. E na faixa de com renda entre 6 e 8 salários-mínimos, esse percentual ficou em 60%. Entre aqueles cuja renda varia de 4 a 6 salários-mínimos, a parcela de doadores é de 54%, com crescimento, em relação a 2022, de 14 pontos percentuais.
Falta de confiança é obstáculo à doação
Ao entrevistar as pessoas que não doam há mais de cinco anos, a pesquisa constatou que a ausência de confiança nas organizações sociais é um fator tão importante quanto a falta de dinheiro. Mais de um terço (38%) disseram que não doam por não confiarem na instituição ou por falta de transparência. Na última edição da pesquisa, em 2022, só 24% deram essa resposta. Mesmo entre os doadores, o nível de confiança nas organizações é baixo. Apenas 30% concordaram com a afirmação “A maior parte das ONGs é confiável” e somente 33% estão de acordo em que “As ONGs deixam claro o que fazem com os recursos que aplicam”.
DESTAQUE: SÓ 30% DOS DOADORES CONCORDAM QUE A MAIOR PARTE DAS ONG’S É CONFIÁVEL
Influência da mídia
Esta edição da Pesquisa Doação Brasil fez uma pergunta nova aos doadores. Ela questionou se eles já haviam deixado de fazer doação em consequência de alguma notícia negativa sobre o tema. A resposta foi surpreendente: quase a metade dos doadores (49%) afirmou já terem suspendido doações depois de tomarem conhecimento de notícias negativas.
As redes sociais também estão sendo cada vez mais apontadas como influenciadoras nas decisões de doar. Nesta edição, 15% dos doadores afirmaram que as redes sociais são a principal influência e, entre eles, 85% disseram que o Instagram é a rede com maior poder de mobilizar doações.
DESTAQUE: 49% DOS DOADORES JÁ DEIXARAM DE FAZER ALGUMA DOAÇÃO DEVIDO A NOTÍCIAS NEGATIVAS SOBRE O TEMA
Doações para situações emergenciais
A Pesquisa Doação Brasil trouxe um capítulo especial sobre as doações feitas para situações emergenciais. A análise mostrou que metade dos brasileiros fez algum tipo de doação, em 2024, motivada por emergências. A doação de bens é a mais popular, realizada por 41% da população, seguida pela de dinheiro, com 24% e, por fim, pela doação de tempo/ trabalho voluntário, com 14%.

A pesquisa mostrou que o brasileiro é solidário também com os desastres que ocorrem distante de onde mora, já que 3/4 dos doadores emergenciais (75%) fizeram doações para fora do seu estado de residência.
Cinquenta e nove por cento dos doadores emergenciais declararam acompanhar o trabalho da ONG para a qual doaram e 66% declararam que pretendem continuar doando para essa mesma organização. Esses dados representam uma esperança no sentido de que as doações não cessem ao término das situações emergências.
A Pesquisa Doação Brasil ouviu 1,5 mil entrevistados, entre abril e maio de 2025, representando a população das cinco regiões do Brasil. O recorte é de pessoas maiores de 18 anos de idade e com renda familiar acima de 1 salário-mínimo.
Para saber mais sobre a pesquisa, baixe a publicação diretamente no site do IDIS.
