Inclusão como prática diária: o esporte que abre caminhos

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Foto: Divulgação De Peito Aberto

 

Por Wenceslau Madeira

Poucas situações me realizam tanto quanto ver, no dia a dia da De Peito Aberto, a sensação de pertencimento florescer. É um sentimento difícil de descrever, mas que se percebe no brilho dos olhos de uma criança ao vestir o uniforme do projeto, no abraço de um adolescente que encontra no esporte um espaço seguro para se expressar, na tranquilidade de uma família que sabe que seu filho está em um ambiente saudável, de cuidado e acolhimento, e nas expressões entusiasmadas de nossas equipes por poder proporcionar tudo isso.

O pertencimento não nasce por acaso. Ele é resultado de um trabalho construído com dedicação e propósito. Ao longo da nossa história, já impactamos mais de 65 mil vidas, oferecendo aulas gratuitas no contraturno escolar, sempre com materiais adequados e professores preparados.

Minha visão se materializa na forma como conduzimos nossos projetos. Acolhemos todos: em nossos núcleos, convivem lado a lado crianças e adolescentes com diferentes perfis, histórias e condições. Temos jovens com deficiência, alunos autistas, crianças com Síndrome de Down, entre tantos outros. Todos participam das atividades de maneira natural, sem separações, porque acreditamos que o verdadeiro sentido da inclusão está em compartilhar o mesmo espaço, a mesma quadra, o mesmo aprendizado.

Modalidades como futebol, futevôlei, skate e judô são, nesse contexto, muito mais do que práticas esportivas. São ferramentas de empoderamento, de desenvolvimento pessoal e de fortalecimento social. O esporte ensina disciplina, cooperação e respeito às diferenças — valores que carregamos como pilares em todos os nossos projetos.

Transformar realidades de regiões distantes dos grandes centros urbanos, compreendendo e respeitando seus desafios e particularidades, é motivo de grande orgulho para mim. Desde 2010, atendemos, por exemplo, alunos quilombolas nas comunidades de Moura e Boa Vista, na região amazônica do Pará.

Mas a inclusão que promovemos não se limita ao atendimento direto. Ela está também na composição de nossas equipes, que reúnem profissionais comprometidos com a diversidade de olhares e experiências. Está em nossa atuação em territórios vulneráveis, onde buscamos acolher crianças e famílias em situações complexas, oferecendo uma alternativa positiva de crescimento.

Vivemos em um país onde a exclusão ainda é realidade para muitos. Por isso, acreditamos que o esporte tem um papel central em equilibrar oportunidades, aproximar pessoas e expandir horizontes. Como uma ponte para o futuro.

 

Na De Peito Aberto, seguimos convictos de que inclusão não é exclusão. Não se trata de promover programas específicos ou ações pontuais. Inclusão é a essência de todo o nosso trabalho, expressa na prática diária de fazer a diferença.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Wenceslau Madeira

Fundador e gerente de projetos da De Peito Aberto, organização voltada ao esporte, à educação e à cultura. Gestor público formado pelo UNIBH, especialista em natação e MBA em ESG pelo IBMEC, cursa atualmente pós-graduação em Comunidades Tradicionais, Licenciamento e Governança Socioterritorial na PUC Minas.