59 anos criando futuros para crianças e adolescentes no Brasil

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Crédito: Marcelo Martins

Por Mauricio Cunha, presidente executivo do ChildFund no Brasil

 

Em 1966, o mundo vivia um momento completamente diferente. O homem ainda não havia chegado à Lua, a internet era apenas um conceito em laboratórios militares e a pauta dos Direitos Humanos dava seus primeiros passos em diversos países. No Brasil, a infância vivia um cenário de vulnerabilidade ainda mais crítico, com índices elevados de pobreza e praticamente inexistiam políticas públicas voltadas à proteção integral das crianças e adolescentes.

Foi nesse contexto que o ChildFund chegou ao Brasil; foi fundado em Belo Horizonte (MG), bem no centro do nosso país, inspirado pelo compromisso de transformar realidades e garantir direitos. Ao longo dessas quase seis décadas, não apenas acompanhamos as mudanças sociais, econômicas e tecnológicas do mundo, como também nos reinventamos para responder a cada uma delas. Hoje, a infância enfrenta desafios diferentes, como a violência, as desigualdades estruturais e, mais recentemente, as ameaças no ambiente on-line.

Desde o início, nossa atuação tem sido construída em parceria com organizações locais, criando redes de juventudes e fortalecendo comunidades para que elas assumam o protagonismo de suas próprias histórias. Também protagonizamos relevantes conquistas, como chamar a atenção da sociedade para prevenir violência contra crianças e adolescentes no ambiente virtual, com a publicação da pesquisa “Mapeamento dos Fatores de Vulnerabilidade dos Adolescentes na Internet” e na aprovação da Lei 14.826/2024, que reconhece a parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias prioritárias para a prevenção da violência contra crianças. Além disso, buscamos, de forma contínua, parcerias com empresas que compreendem nossa causa como uma aliada estratégica para suas práticas de ESG (Ambiental, Social e Governança), afinal, investir na proteção de crianças é investir no futuro de todos.

Um exemplo recente da nossa capacidade de inovar é o lançamento do Guardião da Infância , um produto social criado para engajar novas gerações de doadores e defensores dos direitos da criança. Mais do que um ato de generosidade, tornar-se Guardião significa assumir um compromisso ativo com o futuro de crianças e adolescentes, garantindo apoio contínuo em áreas como educação, saúde e desenvolvimento. É a renovação, a cada geração, de um ciclo que mantemos há quase seis décadas, e também reconhecer que a infância deve ser prioridade absoluta, como estabelece a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Crianças são, infelizmente, o público que mais sofre violações de direitos. Ao mesmo tempo, são a nossa maior esperança de um futuro mais justo, seguro, próspero e solidário. Nossa tagline, Criando Futuros, resume bem essa missão, que é transformar o presente para garantir um futuro melhor. No último ano, alcançamos mais de 1 milhão de pessoas com nossas iniciativas e pretendemos aumentar ainda mais esse resultado, impactando cada vez mais crianças, adolescentes, jovens e suas famílias.

O mundo mudou muito desde 1966. Nós também mudamos. Mas a nossa causa continua a mesma: proteger, cuidar e criar oportunidades para que cada criança, adolescente e jovem possa sonhar e realizar. Que venham as próximas décadas — estaremos prontos, como sempre, para inovar, agir e inspirar.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Sobre o autor: Mauricio Cunha é Presidente Executivo do ChildFund Brasil, doutor em Políticas Públicas, mestre em Antropologia Social, engenheiro e administrador. Autor de quatro livros e referência em inclusão, infância e transformação social, com mais de 30 anos de experiência no terceiro setor.