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Imagem: ChatGPT

 

Por Silvia Naccache

 

O Brasil está vivendo uma de suas maiores transformações demográficas. Longe de ser um desafio, o envelhecimento da população é uma grande conquista. Os dados do Censo de 2022 do IBGE confirmam essa nova realidade: pela primeira vez em nossa história, o número de pessoas com mais de 65 anos (22,2 milhões) superou o de crianças. Essa mudança nos convida a repensar a velhice, não como uma fase de inatividade, mas como um período de plena participação e propósito.

 

No Brasil e em todo o mundo, celebramos o dia 1º de outubro como o Dia Internacional das Pessoas Idosas. É a ocasião perfeita para desmistificar a aposentadoria e mostrar o poder do voluntariado como uma ferramenta de bem-estar e renovação.

 

Em todas as fases da vida, tem-se a liberdade para realizar sonhos e, ainda fazer as escolhas de como usar o tempo para fazer a diferença. A ciência comprova que engajar-se em atividades voluntárias melhora a saúde mental e física, diminui o risco de depressão e fortalece a autoestima. Quando uma pessoa idosa doa seu tempo, ela não só ajuda o próximo, mas também nutre a si mesma. É uma troca poderosa. E qual é o maior ativo de uma pessoa idosa? Sua experiência de vida! Anos de aprendizado, trabalho e sabedoria se tornam um tesouro para a comunidade. Cada um tem um talento único para compartilhar!

 

O voluntariado também é um presente que a sociedade pode dar aos idosos, especialmente àqueles em situação de vulnerabilidade. A solidão é um dos maiores desafios da velhice. Por isso, iniciativas simples se tornam gigantes em seu significado. Nos Centros de Convivência e Centros Dia, voluntários criam e lideram oficinas de artes, música, jardinagem e até aulas de tecnologia, promovendo a socialização e mantendo a mente ativa. Em lares de longa permanência, a presença de um voluntário para uma conversa ou um jogo de cartas pode iluminar o dia de quem se sente esquecido. Projetos intergeracionais, que unem a vitalidade dos jovens com a sabedoria dos mais velhos, são a nova tendência, criando pontes entre as gerações e enriquecendo a vida de todos.

 

Se você, idoso, quer começar a fazer a diferença, saiba que ser voluntário é mais fácil do que parece. O primeiro passo é refletir sobre seus talentos e paixões. O que você faz de melhor? Um hobby que você ama ou uma habilidade que usava no trabalho? Comece com poucas horas por semana para ver se a atividade combina com você. Lembre-se, sua paciência, sua capacidade de ouvir e sua sabedoria são habilidades valiosas que podem ser doadas de inúmeras formas, sem a necessidade de habilidades técnicas.

 

E para quem deseja doar seu tempo para a população idosa, há diversas opções. Procure por Instituições de Longa Permanência (ILPIs), centros de convivência, hospitais com programas de voluntariado e organizações sociais que promovem a garantia de direitos da pessoa idosa.

 

O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/03), na nossa legislação, reforça a importância da participação social. A mudança de nome, atualizada em 2022, de “Estatuto do Idoso” para “Estatuto da Pessoa Idosa”, mostra o compromisso de nossa sociedade em ver o idoso não como um grupo homogêneo e dependente, mas como um indivíduo com sua própria dignidade e voz.

 

Envelhecer, no Brasil de hoje, é ter a oportunidade de escrever um novo capítulo. E o voluntariado é, sem dúvida, uma das páginas mais bonitas. É a chance de continuar ativo, conectado e, acima de tudo, a prova de que a vida é, e sempre será, uma jornada de contribuição e crescimento.

 

O verso de Gonzaguinha, na canção “O Que É, O Que É?” celebra a vida e o tempo de forma poética e inspiradora:  “Eu fico com a pureza da resposta das crianças: é a vida, é bonita e é bonita.”

 

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Sobre a autora: Silvia Naccache é empreendedora social, palestrante e consultora especializada em voluntariado, responsabilidade social e sustentabilidade. Atua na articulação de parcerias, avaliação de projetos e mobilização de recursos, com ampla experiência no terceiro setor e voluntariado empresarial. É conselheira voluntária da ABRAPS e da Associação Vaga Lume, além de integrar redes nacionais e internacionais de promoção do voluntariado.