Brasil avança na luta contra a fome, mas desafios ainda são persistentes
Direitos Humanos
São Paulo, 10 de outubro de 2025 – Os dados divulgados hoje (10) pelo IBGE registram a redução nos indicadores de insegurança alimentar no Brasil. Pelo último dado, 54,7 milhões de pessoas vivem em algum grau de insegurança alimentar. Embora os números evidenciem que o país está avançando, especialistas do Instituto Pacto Contra a Fome alertam que o país ainda está longe de cumprir a meta de ter todos os brasileiros com alimentação adequada
De acordo com a pesquisa do IBGE, a insegurança alimentar grave, que representa a fome, atinge 3,2% dos lares brasileiros ou cerca de 6,5 milhões de brasileiros. Número inferior ao encontrado em 2023, de 8,7 milhões de pessoas. Ainda que esta redução seja motivo de celebração, o Pacto Contra a Fome salienta a necessidade de manter e fortalecer as políticas públicas que permitiram esses avanços.
A redução da fome é atribuída à retomada e ao fortalecimento de programas essenciais como o Bolsa Família, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A melhoria nos índices de emprego e o aumento do salário mínimo também foram fatores decisivos. Além disso, a entidade ressalta o papel crucial da sociedade civil na mobilização de ações e no atendimento direto a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Desafios à frente: clima, desigualdade e nutrição
Apesar dos progressos, o Pacto Contra a Fome alerta que os avanços podem ser comprometidos por fatores como a desaceleração econômica, as incertezas do cenário global e os efeitos da crise climática. A organização defende que a segurança alimentar e nutricional seja tratada como uma política de Estado, integrada de forma transversal em áreas como agricultura, saúde, educação, economia e meio ambiente, independentemente das mudanças de governo.
“Os novos dados do IBGE são motivo de celebração, mas trazem um alerta. Eles mostram que quando o Brasil aposta em políticas públicas sólidas – como a transferência de renda, o PNAE, o PAA e o fortalecimento do emprego –, a fome recua. Mas também nos lembram que conquistas sociais só se sustentam com estabilidade e compromisso político”, afirma Maria Siqueira, codiretora executiva do Pacto Contra a Fome. “Agora, o desafio é ainda maior: enfrentar os efeitos da crise climática, da inflação e da má nutrição”.
A luta contra a má nutrição é outro ponto de atenção destacado pelo Pacto, que reforça a urgência de garantir a qualidade nutricional dos alimentos. “O aumento da obesidade, especialmente entre as crianças, é um alerta grave. Precisamos de soluções estruturantes que enfrentem as causas da pobreza e da desigualdade e assegurem acesso estável à renda e à comida de qualidade, sobretudo na infância”, comenta Ricardo Mota, gerente de Inteligência Estratégica do Pacto Contra a Fome.
O Pacto Contra a Fome reforça seu compromisso em mobilizar todos os setores da sociedade – setor público, privado e sociedade civil – para que o Brasil não apenas mantenha os avanços, mas construa um futuro em que a alimentação adequada seja um direito efetivo para todas as pessoas.
Sobre o Pacto Contra a Fome
O Pacto Contra a Fome é uma coalizão suprapartidária e multissetorial que atua no engajamento da sociedade para erradicar a fome, promover alimentação adequada e reduzir o desperdício de alimentos de forma estrutural e permanente. Sua missão é contribuir para erradicar a fome até 2030 e ter todos os brasileiros alimentados adequadamente até 2040. Para isso, o Pacto atua sob três pilares: articulação, inteligência estratégica e incentivo.
“Temos convicção de que a meta é possível de ser cumprida se todos somarmos nesta causa. Governos, setor empresarial, terceiro setor e sociedade civil são imprescindíveis nesta jornada e é unindo essas forças que estamos atuando”, conclui a cofundadora e presidente do Conselho do Pacto Contra a Fome, Geyze Diniz.
