Instituto iungo e MBM propõem modelo estratégico de investimento social

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Em novo case de parceria, o Movimento Bem Maior e o Instituto iungo mostram como promover fortalecimento institucional de organizações a partir do investimento social privado 

Paulo Andrade, presidente do Instituto iungo (Imagem: Divulgação)

O Movimento Bem Maior (MBM) lança um novo case de parceria com o Instituto iungo, organização social dedicada ao desenvolvimento profissional e valorização dos educadores. A ideia do material é demonstrar como o investimento social privado consegue ir além do financiamento pontual e se tornar alavanca para o fortalecimento institucional de organizações.

Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, Paulo Andrade, presidente do Instituto iungo, fala sobre a parceria com o MBM, que teve início em 2020. Segundo ele, no começo da colaboração o iungo era uma organização jovem, mas que já apresentava uma proposta consistente sobre o problema que se propunha a contribuir, com uma equipe experiente no campo educacional

“Nosso foco no desenvolvimento profissional de professores como estratégia central para a melhoria da educação pública foi um elemento decisivo para que o Movimento Bem Maior se tornasse um de nossos mantenedores”, comenta Andrade.

De 2020 a 2024, o Instituto iungo mais que dobrou seu orçamento anual, expandindo de 2 para 9 financiadores, além de multiplicar seus resultados: passou de 4 mil para 339 mil educadores beneficiados, de 14 para 40 colaboradores e ampliou sua atuação para uma presença nacional, com foco em oito estados da Amazônia Legal, além de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Andrade afirma que essa colaboração com MBM estruturou processos, elevou capacidades institucionais, inspirou novos modelos de atuação e ampliou significativamente o alcance do impacto social. “Essa ampliação vem acompanhada de uma solidez e de uma segurança que, inclusive, atraem mais investidores”.

No outro lado da iniciativa, a diretora executiva do Movimento Bem Maior, Carola Matarazzo, explica o potencial enxergado pelo MBM nessa relação. “Nós sabíamos que apoiar o iungo seria não só investir em uma causa relevante, mas também em uma organização séria e consistente”.

Carola também pontua que o case evidencia o papel da confiança mútua em permitir avanços concretos em gestão, governança e escala de impacto. Essa visão converge com a percepção e os valores do iungo.

“A colaboração é um valor essencial para o Instituto iungo, e essa sintonia foi fundamental para que a parceria se desenvolvesse de forma consistente, com uma atuação assertiva, baseada em confiança, corresponsabilidade e visão de longo prazo”, destaca Paulo Andrade.

Propondo um Investimento social estratégico

O case da iniciativa, disponível para download no site do MBM, propõe uma nova forma de investir com estratégia, parceria e visão de longo prazo. Nesse sentido, o documento apresenta o impacto que tais práticas podem trazer a organizações que atuam em áreas cruciais para o país, como a educação — eixo temático do Instituto iungo.

Ainda, o case exalta o investimento social privado como um promotor do fortalecimento institucional que, segundo Andrade, sempre foi um dos focos da parceria. Segundo ele, o potencial da colaboração está nas diferenças de expertises entre as organizações e nas semelhanças em propósito e visão. 

“Essa troca é fundamental para o desenvolvimento e amadurecimento institucional de ambas as instituições. Em diferentes momentos estratégicos, encontramos apoio mútuo para desenhar processos e amadurecer práticas”, lembra Andrade.

A construção do case se baseou em entrevistas com lideranças envolvidas, análise documental e revisão de ferramentas e metodologias utilizadas durante a jornada conjunta, como o diagnóstico de maturidade institucional e os Objetivos e Resultados-chave (OKRs).

O Instituto iungo

O Instituto iungo é uma organização social focada na educação e desenvolvimento dos professores. Para trazer um impacto relevante à educação do país, iungo trabalha em parceria com secretarias da educação, universidades e outras organizações do terceiro setor.

“Para nós, valorizar e apoiar o desenvolvimento profissional dos professores é condição indispensável para garantir uma educação de qualidade para todos”, comenta o presidente do Instituto.

O instituto oferece formação continuada para educadores em diferentes formatos, produz material pedagógico para apoiá-los no dia a dia e investe em pesquisas para ouvir os professores de todo o Brasil.

“Desde 2020, já alcançamos mais de 341 mil educadores em todas as regiões do país. Nossas ações se organizam em três frentes principais — formação continuada, desenvolvimento de materiais pedagógicos gratuitos e pesquisa em educação — todas orientadas pela Agenda 2030 e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 4 (educação de qualidade), conclui Andrade.

Entrevista com Paulo Andrade

A seguir confira a entrevista completa com Paulo Andrade, presidente do Instituto iungo:

  • Como ocorreu (ou ocorre) a parceria do Instituto iungo com o Movimento Bem Maior e qual foi o principal objetivo do iungo com essa aproximação?

A parceria entre o Instituto iungo e o Movimento Bem Maior (MBM) teve início em 2020, em um contexto já conhecido de grandes desafios históricos para a educação brasileira e de uma crescente urgência em fortalecer organizações capazes de atuar de forma estruturante sobre esses problemas. Essa aproximação se deu de forma natural, a partir da trajetória de Maria Fernanda Menin, uma das fundadoras do Instituto iungo, integrante do Conselho de Administração do MBM e atual presidente do Conselho do iungo.

Naquele momento, o iungo era uma organização jovem, mas já apresentava uma proposta consistente, com excelência técnica, clareza sobre o problema que se propunha a contribuir para resolver e uma equipe com ampla experiência no campo educacional. Nosso foco no desenvolvimento profissional de professores como estratégia central para a melhoria da educação pública foi um elemento decisivo para que o Movimento Bem Maior se tornasse um de nossos mantenedores.

Desde os primeiros diálogos, nossas primeiras impressões foram de que se tratava de uma instituição aberta e colaborativa. A colaboração é um valor essencial para o Instituto iungo, e essa sintonia foi fundamental para que a parceria se desenvolvesse de forma consistente, com uma atuação assertiva, baseada em confiança, corresponsabilidade e visão de longo prazo.

Ao longo de cinco anos, essa colaboração estruturou processos, elevou capacidades institucionais, inspirou novos modelos de atuação e ampliou significativamente o alcance do nosso impacto social. Essa ampliação vem acompanhada de uma solidez e de uma segurança que, inclusive, atraem mais investidores.

  • O fortalecimento institucional é um dos focos da parceria, correto? Como você enxerga a importância de investir nesse ponto para ampliar o impacto social do instituto?

Sim, o fortalecimento institucional sempre foi um foco da parceria. Ao longo desses cinco anos, ficou evidente como a combinação de nossas expertises potencializa o impacto social. Enquanto nós do Instituto iungo contribuímos com conhecimento, uma visão aprofundada da realidade da educação pública e da capacidade de apoiar o desenvolvimento da profissão docente no Brasil, o Movimento Bem Maior compartilhou seu repertório em gestão organizacional, boas práticas institucionais e articulação estratégica no ecossistema filantrópico. 

A parceria se deu entre organizações com expertises distintas, mas igualmente comprometidas com impacto social de longo prazo. Essa troca é fundamental para o desenvolvimento e amadurecimento institucional de ambas as instituições. Em diferentes momentos estratégicos, encontramos apoio mútuo para desenhar processos e amadurecer práticas. 

  • Quais foram os maiores aprendizados do Instituto iungo durante esse ciclo de consolidação institucional com o MBM?

Um dos principais aprendizados dessa parceria foi a importância de estruturar a organização com ainda mais robustez e intencionalidade, com processos claros, governança fortalecida e uma gestão orientada por dados e prioridades estratégicas bem definidas. Hoje, o Instituto iungo conta com uma estrutura consistente, que permite acompanhar com precisão a alocação de recursos por área e atividade, tornando as decisões mais conscientes e alinhadas à nossa estratégia de impacto. Esse fortalecimento ampliou nossa capacidade de estabelecer e sustentar    parcerias com secretarias de educação, empresas de grande porte e fundações e institutos do Terceiro Setor.

No que se refere à governança interna, por exemplo, partimos de uma liderança mais concentrada na gestão. Hoje temos uma diretoria executiva estruturada, com um diretor-presidente, uma diretora de Educação e uma diretora de estratégia responsável pelo planejamento e monitoramento. Essa estruturação ganhou intensidade ao longo da parceria, inclusive com a adoção de ferramentas de gestão, que nos ajudaram a estruturar e fortalecer o nosso trabalho. Nesse processo, também realizamos uma consultoria para o desenvolvimento do Planejamento Estratégico de cada programa, o que nos permitiu avançar de forma mais consistente.

Outro aprendizado foi o fortalecimento da governança, com a instituição do nosso Conselho Deliberativo, em 2022, um passo importante para sustentar o crescimento que vivemos nos últimos anos. 

  • Sobre a atuação do Instituto iungo: vocês destacam a importância do desenvolvimento e da valorização dos educadores. Poderia comentar como o instituto vê o papel desses profissionais para a melhoria da educação brasileira e como se dá, na prática, o suporte oferecido a eles?

A Educação Básica enfrenta um grande desafio relacionado à  carreira docente. Projeções recentes indicam que, até 2040, o país poderá enfrentar um déficit de aproximadamente 235 mil educadores (Instituto Semesp, 2022). Uma das raízes mais profundas para essa questão multifatorial é a desvalorização da profissão docente. 

Para nós, valorizar e apoiar o desenvolvimento profissional dos professores é condição indispensável para garantir uma educação de qualidade para todos. Estudos indicam que pelo menos 60% do que os estudantes aprendem está diretamente relacionado à atuação docente (Movimento Profissão Docente/Instituto Península e Fundação Getúlio Vargas, 2024). Quando fortalecemos os professores, ampliamos significativamente as possibilidades de desenvolvimento integral dos estudantes e, consequentemente, do país.

Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Novas Arquiteturas Pedagógicas da Universidade de São Paulo (NAP/USP) em parceria com o iungo, que ouviu cerca de 2.000 professores de escolas públicas de todo o Brasil, mostrou que 88% deles expressam o desejo de buscar a excelência profissional, sendo a formação continuada apontada como o principal caminho para isso.

Na prática, o iungo atua no desenvolvimento profissional de educadores por meio de programas de formação continuada construídos por professores, com professores e para professores, sempre em parceria com redes públicas de ensino. Desde 2020, já alcançamos mais de 341 mil educadores em todas as regiões do país. Nossas ações se organizam em três frentes principais — formação continuada, desenvolvimento de materiais pedagógicos gratuitos e  pesquisa em educação — todas orientadas pela Agenda 2030 e pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente o ODS 4. Nosso compromisso é colaborar para o fortalecimento da profissão docente, contribuindo para uma educação pública de qualidade, equitativa e sustentável.