O que nos falta é empatia

Direitos Humanos
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Imagem: Divulgação

 

Por Alex Cardoso de Melo

 

Toda vez que somos impactados por um caso como o do cruel ataque ao cão Orelha, em Florianópolis, e efetuado por agressores tão jovens nós nos perguntamos: aonde foi que erramos como sociedade? Em quase quarenta anos de trabalho voluntário e tendo como pauta principal divulgar uma cultura de empatia e paz, posso dizer de que não existe uma fórmula mágica para a solução de um problema tão complexo como este, ainda mais quando envolve o universo infanto-juvenil. No entanto, além de acreditar que as crianças e jovens tornam-se para uma sociedade, segundo a educação e o carinho que recebem, uma recompensa ou um castigo, sabemos que, historicamente, o Brasil sempre teve o foco em exterminar os “frutos estragados”, ao invés de tratarmos as raízes doentes. Realizamos um trabalho muito parecido com o de “enxugar o gelo”.

Quando buscamos a origem destes problemas, sempre enxergamos algo incomum: a falta de empatia. A busca por uma cultura de paz e empatia é algo que precisa ser ensinado, colocado em pratica, passado de geração a geração. O arcebispo sul-africano Desmond Tutu, prêmio Nobel da Paz em 1984 sempre dizia que: “não somos amados por sermos bons, somos bons porque somos amados”. Vivemos um momento delicado na história da humanidade, as redes sociais e a inteligência artificial, afastam cada vez mais nossos jovens da vida real, grande parte dos Millennials e da nova Geração Alpha são tão conectados que muitas vezes já não conseguem distinguir aonde termina o mundo virtual e tem inicio o mundo real.

As conseqüências deste mundo cada vez mais individualista e conturbado estão aí, não só com o ato cruel que deu fim a vida do cão Orelha, mas também em uma sociedade onde as pessoas cada vez mais se isolam, importando-se mais com o “ter” do que com o “ser”. Se por um lado estamos evoluindo cada vez mais rápidos em campos como ciência e tecnologia, os passos são cada vez mais curtos em nossa evolução como indivíduos. Em certos aspectos, parece que estacionamos em algum momento após o boom das redes sociais. Precisamos voltar a dar atenção ao mundo off-line e interagir para a construção de uma nova era. Precisamos ter a percepção de que ninguém ou nenhuma tecnologia pode aprisionar a nossa mente sem o nosso consentimento.

É triste demais ver pessoas tão jovens e com uma capacidade enorme de construir um mundo melhor tomar o caminho contrário, escolher a estrada da indiferença, do ódio e da destruição. É necessária, cada vez mais, a luta por uma cultura de empatia e paz, mostrando aos jovens de que a diferença entre o que fazemos atualmente e aquilo que somos capazes de fazer é o suficiente para solucionar a maioria dos problemas do mundo. Em meu trabalho voluntário a frente da ONG “Meu sonho não tem fim” eu sempre levo algo – gratuitamente – que é importante ser compartilhado, pois ainda acredito que é muito melhor acender uma vela do que continuar amaldiçoando a escuridão. Apesar de dias tão nebulosos, eu tenho fé na humanidade e de que temos a possibilidade de mudar a nossa triste realidade. E o primeiro passo é mudarmos a nós mesmos: confiando mais, tolerando mais, respeitando mais, amando mais… Tendo empatia.

A empatia é capaz de mudar o mundo. Precisamos nos colocar – mais e mais vezes – no lugar do outro e ter sempre em mente de que o mundo doente, opressor e indiferente que nos cerca, jamais poderá contaminar nossos princípios e sonhos de construção de uma sociedade melhor: mais justa, ética e fraterna.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Sobre o autor: Alex Cardoso de Melo é o idealizador da ONG “Meu sonho não tem fim”, referência em todo o país em projetos de conscientização e motivação e que tem como principal missão dar a possibilidade de que cada cidadão torne-se um agente de transformação na sociedade através de uma cultura de empatia e paz. Uma organização totalmente independente – laica e apartidária – que não possui vínculos financeiros ou comerciais e não aceita doações de nenhuma espécie. Dissemina o bem: de uma forma inovadora, livre, independente e sem pedir nada em troca.