A cura que a generosidade entregou de graça
Cultura de Doação

Por Custódio Pereira
Aos 53 anos, John D. Rockefeller era o homem mais rico do mundo. Controlava 90% do petróleo refinado nos Estados Unidos e acumulava uma fortuna equivalente a 340 bilhões de dólares atuais. Mas o dinheiro não pôde comprar o que ele mais precisava: a saúde. Seu corpo entrou em colapso, perdeu todo o cabelo, mal conseguia comer e vivia de sopa e biscoitos. Não dormia. Não sorria. Diante do quadro, seus médicos lhe deram apenas um ano de vida. Foi então que algo extraordinário aconteceu.
Rockefeller teve uma profunda reflexão: de que adiantava toda aquela riqueza se ele não poderia levar nada consigo? Decidiu, então, fazer algo que mudaria não apenas a sua vida, mas a de milhões de pessoas ao redor do mundo. Começou a doar. Maciçamente.
Criou a Fundação Rockefeller, que financiou a pesquisa da penicilina, o antibiótico que salvou incontáveis milhões de vidas. Investiu em hospitais, universidades, centros de pesquisa médica e iniciativas de saúde pública que transformaram a medicina moderna. E o resultado mais inesperado? Rockefeller se recuperou. O homem que deveria morrer aos 53 viveu até os 98 anos.
“Minha vida tem sido um longo e feliz feriado desde então, cheia de trabalho e diversão. Deixei minhas preocupações pelo caminho e Deus foi maravilhoso comigo todos os dias”, escreveu em seu diário.
Essa história nos ensina algo poderoso sobre o capitalismo filantrópico: a riqueza, quando direcionada com propósito e generosidade, tem o poder de transformar o mundo – e também quem a compartilha. E é exatamente esse espírito que está vivo no Brasil hoje, através do Filantropia na Cidade, uma iniciativa do Fórum Nacional das Instituições Filantrópicas (FONIF), em parceria com o SEMESP e o Instituto Presbiteriano Mackenzie.
O movimento nasceu para celebrar o Dia Nacional da Filantropia, em outubro, mas carrega uma mensagem que Rockefeller entendeu há mais de um século: a generosidade não pode ter data marcada. Ela precisa ser uma prática de todos os dias, de todos os anos.
Assim como Rockefeller descobriu que doar transformou sua própria vida antes de transformar o mundo, o Filantropia na Cidade nos convida a agir – cada um com o que tem, onde está – para construir uma sociedade mais justa, onde a compreensão e a solidariedade de quem pode ajudar alcance quem mais precisa. Afinal, generosidade não é fraqueza. É a mais inteligente das estratégias. E também a mais humana.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
