A banalização da empatia: curtir é fácil — o problema é agir.

Cultura Organizacional
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Imagem: ChatGPT

 

Por Marina Pechlivanis

 

Era para ser uma equação simples: ter acesso a mais informação geraria mais consciência, que geraria mais ação, que aumentaria as possibilidades de transformação. Mas algo desandou. Começou a surgir, de forma recorrente, um padrão de consciência sem ação, emoção sem consequência, e valor sem prática.

Assim como a inteligência, as emoções estão se artificializando também?

Vamos lá para uma autoanálise:

  • Apoiar uma causa faz você sair da indignação e partir para a ação?
  • Se posicionar sobre um problema social faz com que você se envolva na solução?
  • Postar sobre desafios humanitários faz você se comprometer com alguma coisa?

Estes são alguns dos sintomas de uma patologia preocupante para a saúde social dos nossos tempos: uma crise de esvaziamento de sentidos em uma sociedade cansada de tantos excessos de tudo e de todos, que desencadeia uma apatia relacional funcional.

Muita gente falando e pouca gente fazendo.

O filósofo Byung-Chul Han, em A Sociedade do Cansaço, descreve uma sociedade marcada pela saturação de estímulos, de demandas, de positividade. Um desânimo generalizado. Muita gente reclamando e pouca gente se mobilizando.

Seria, na era da inteligência artificial, um contágio que passou para as emoções? Emoções artificiais ou emoções artificializadas? Afinal, quem consegue ser empático, sensível e profundo com a banalização dos laços de reciprocidade? Como criar vínculos solidários bem estruturados em tempos de superficialidade nas curtidas, mensagens curtas e cifradas, e algoritmos pré-estabelecidos para alcançar conexão e engajamento?

Pensando em engajamento digital, os números podem ser impressionantes, a depender das métricas de mídia: impacto, alcance, frequência e cobertura midiática digital. Mas muitas vezes são apenas artifícios de reconhecimento e validação que focam em estratégias de comunicação bem-sucedidas e não em resolução de problemas reais.

Será uma viralização doentia do movimento das redes sociais virtuais para as nossas redes relacionais de convivência? Ou o digital é um reflexo da qualidade das nossas relações humanas e humanitárias atuais — aceleradas, repletas de dados e, na maioria, sem nexo?

A equivocada sensação de missão cumprida

Vivemos uma realidade de resolução emocional de baixa intensidade e um dos deslocamentos mais simbólicos é a virtualização da ação, que acontece em rápidos cliques: curtir, compartilhar, comentar, endossar. Tem quem considere isso o suficiente. Mas não é. Curtir não é agir. Compartilhar não é se responsabilizar. Concordar não é se comprometer.

Não vamos menosprezar as boas atitudes de quem ao menos está sinalizando suas boas intenções. Sim, esses gestos têm valor — ampliam visibilidade, constroem narrativas, posicionam publicamente. Mas podem, facilmente, funcionar como um potencializador da sua autoestima: você registra que se importa e mostra para todo mundo suas intenções. Assim, ganha crédito no seu grupo de relacionamento e alivia a tensão de não poder (ou não querer) fazer alguma coisa concreta. Vira uma “resolução emocional de baixa intensidade” fácil de colocar em prática, sem muito esforço e sem sair do lugar. E, claro, com baixas taxas de conversão em ações sociotransformadoras na sociedade.

Um possível antídoto: educar para sentir e agir

Se o diagnóstico aponta para uma fragmentação entre emoção e ação, como combater este sintoma contemporâneo?

Com um antídoto gratuito altamente recomendado por especialistas para combater esta sintomatologia. Tem apenas 7 ingredientes na mais alta potência: gentileza, generosidade, solidariedade, sustentabilidade, diversidade, respeito e cidadania. Importante: não tem contraindicações e tem um efeito colateral positivo: a consciência social. É a Educação para Gentileza e Generosidade.

Não como discurso, mas como prática estruturada. Com metodologia, com estudos e pesquisas proprietários, testes, manuais, planos de aula, prêmio, indicadores. Uma abordagem para todas as idades e de todos os perfis, que não apenas informa ou sensibiliza, mas cria condições para que a emoção, traduzida em comportamentos pró-sociais, seja cultivada e valorizada na infância ou o quanto antes, e tenha potencial para se converter em atitude.

Para quem se sente feliz curtindo nas redes sociais, só clicar: @gentilezagenerosidade.
E para quem quer curtir uma experiência sociotransformadora com materiais para ambientes de trabalho, escolas, famílias, jovens e toda a comunidade, só acessar:

https://www.gentilezagenerosidade.com.br/

 

Junte-se a este movimento.

Sempre é tempo de curtir e agir.

E, por que não, de agir e curtir também.

 

*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.

 

Marina Pechlivanis

Marina Pechlivanis é sócia da Umbigo do Mundo e idealizadora da Plataforma de Educação para Gentileza e Generosidade