Estudo aponta atrasos no desenvolvimento de bebês expostos à pobreza

Saúde Infantil
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Pesquisa brasileira revela que crianças em situação de vulnerabilidade enfrentam maiores dificuldades no desenvolvimento infantil; tema com foco na primeira infância foi debatido no Brasil ODS

(Imagem gerada por Inteligência Artificial)

Por Vitória Serrão

O Brasil chegou ao seu menor índice de pobreza e desigualdade em 2024, com o maior aumento na renda média dos brasileiros em 30 anos, segundo dados de pesquisa divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar disso, a pobreza segue afetando cerca de 16 milhões de crianças em todo o país, de acordo com a publicação Cenário da Infância e Adolescência Brasil 2025. Essa realidade reforça desafios estruturais alarmantes que afetam o desenvolvimento físico, mental, social e educacional do público infantojuvenil, dificuldades que, muitas vezes, se estendem até a vida adulta.

Em destaque a essa questão, o programa Brasil ODS debate, em seu novo episódio “Bebês expostos à pobreza apresentam atrasos no desenvolvimento cognitivo”. Apresentado pelo jornalista e fundador do Observatório do Terceiro Setor (OTS), Joel Scala, o bate-papo também contou com o apoio da colunista do OTS, Gabriela Chabbouh. A discussão está  alinhada ao ODS 3 (Saúde e Bem-Estar) e ODS 10 (Redução das Desigualdades).

Proteger a primeira infância é proteger o futuro

O programa se desenvolve a partir de um estudo brasileiro que acompanhou bebês mês a mês e identificou que crianças em situação de vulnerabilidade econômica demoraram mais para alcançar marcos importantes do desenvolvimento. Nesse cenário, é importante ressaltar a necessidade de proteção e cuidado na primeira infância, período que vai do nascimento aos 6 anos de idade.

Para a Carolina Fioroni, pós-doutoranda na Heinrich Heine University, na Alemanha, e doutora em Fisioterapia pela UFSCa, seus estudos mostram que bebês expostos à pobreza vivem, muitas vezes, em contextos familiares despreparados e, por isso, ficam mais expostos ao estresse, à falta de estímulos e à escassez de recursos. Como consequência, podem apresentar desenvolvimento neuromotor tardio, além de maior vulnerabilidade a doenças, baixa nutrição e, nos casos mais graves, à fome.

“A primeira infância é o momento em que os bebês têm maior neuroplasticidade. Então, é um período em que o cérebro está totalmente moldável aos estímulos recebidos do ambiente. Todos os estímulos oferecidos a eles são absorvidos muito rapidamente. Uma vez que você tem a informação, consegue estimular e ofertar recursos para que aquele bebê se desenvolva da melhor forma possível”, destaca Carolina Fioroni.

Segundo Sofia Rebehy, coordenadora de projetos na Infinis e mestre em Estudos do Desenvolvimento pela Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne, a pobreza na infância pode trazer consequências sérias para a vida adulta. Por isso, é importante cuidar não apenas desse momento, mas qualificar políticas públicas para atender as pessoas que mais precisam.

“É bastante importante focalizar os serviços e investimentos, que são sempre escassos, direcionando-os às pessoas que mais precisam. Programas como o Bolsa Família atuam com condicionalidades para garantir que a criança tenha acesso a direitos básicos, como educação e saúde, incluindo vacinação e acompanhamento nutricional. Tudo isso precisa ser fortalecido, e essas pesquisas ajudam a orientar essa focalização das políticas públicas”, afirma Sofia Rebehy.

Acompanhe o Brasil ODS

O Brasil ODS é uma produção audiovisual do Observatório do Terceiro Setor (OTS), apresentado por Joel Scala, com o apoio da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. A iniciativa é voltada à divulgação científica e ao debate público sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

O programa vai ao ar às quintas-feiras no portal do OTS e às 15h na Rádio Brasil de Fato.

Clique aqui para conferir o programa completo!