Dia do Abraço: especialista dá 6 dicas para fortalecer a saúde emocional de crianças e adolescentes no ambiente escolar
Educação
Na próxima sexta-feira (22), é celebrado o Dia do Abraço, data que visa reforçar a importância da demonstração de carinho, afeto e amizade, sentimentos e relações humanas presentes no dia a dia. No ambiente escolar esses sentimentos são fundamentais para a geração de bem-estar emocional, pilar de relevância para o alcance de boa performance no estudo.
Para Vinicius de Paula, diretor do Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School, no ambiente escolar, não é possível construir um aprendizado sólido em um ambiente de ansiedade, tensão, violência ou bullying. O aprendizado, segundo ele, é estimulado em um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso.
O alerta ganha ainda mais relevância diante do aumento dos desafios emocionais enfrentados por crianças e adolescentes. De acordo com levantamento do Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef), um em cada sete adolescentes entre 10 e 19 anos possui algum transtorno mental, sendo ansiedade e depressão os quadros mais recorrentes.
Por isso, neste Dia do Abraço, De Paula propõe uma reflexão: mais do que o contato físico, o “abraço” no ambiente escolar deve simbolizar acolhimento, segurança emocional e pertencimento. “O afeto é fundamental para ensinar, criar vínculos e fortalecer conexões, mas ele nunca pode existir sem respeito”, explica.
Promoção do bem-estar emocional
Com o objetivo de mostrar a importância de relações sociais saudáveis no ambiente escolar, De Paula reúne seis práticas que ajudam escola e família a promover bem-estar emocional e favorecer o aprendizado. Confira:
1. Priorize o acolhimento antes da performance acadêmica
Antes de pensar em notas, idiomas ou desempenho, é crucial garantir que a criança e ao adolescente estejam emocionalmente seguros. Segundo o especialista, ambientes marcados por medo, tensão ou exclusão dificultam diretamente a aprendizagem.
2. Entenda que afeto vai além do abraço físico
O Dia do Abraço não deve ser interpretado apenas literalmente. Para De Paula, o afeto no ambiente escolar significa escuta, respeito, vínculo e presença emocional, sempre respeitando limites e consentimento. “É pelo afeto que ensinamos, construímos amizades e fortalecemos a relação entre estudantes, professores e escola.”
3. Explique regras com sinceridade e não apenas imponha
O afeto e disciplina não são opostos, o equilíbrio entre eles, acontece quando a escola estabelece limites claros, mas também explica os motivos por trás das regras. “O ‘porque eu estou mandando’ não funciona. Precisamos respeitar a inteligência da criança e mostrar por que aquela regra existe”, destaca.
4. Crie espaços de escuta ativa
Permitir que crianças e adolescentes expressem sentimentos, dúvidas e sugestões fortalece o senso de pertencimento e a segurança emocional. Segundo Vinicius, esse acolhimento é essencial para que o aluno se sinta parte do ambiente escolar. “No Colégio Liceu Pasteur Start Anglo Trilingual School, por exemplo, os estudantes participam de encontros periódicos com a gestão escolar para compartilhar percepções sobre a rotina da escola, o que contribui para fortalecer esse vínculo de pertencimento”, explica.
5. Não minimize emoções difíceis
Ansiedade, frustração e insegurança precisam ser acolhidas sem comparações ou julgamentos. Frases como “na minha época era pior” ou “isso não é motivo para sofrer” podem enfraquecer a autoestima da criança. “Não é recomendável hierarquizar a dor ou diminuir a história daquela criança. Cada um vive seus desafios dentro da sua realidade”, alerta.
6. Fortaleça a parceria entre escola, família e profissionais
Quando há sofrimento emocional, o suporte precisa ser coletivo. De Paula defende uma atuação conjunta entre escola, responsáveis e profissionais da saúde mental. “É esse triângulo que pode ajudar o estudante a desenvolver segurança emocional para enfrentar desafios.”
Além dos impactos no bem-estar, a atenção às competências socioemocionais também tem reflexos no desempenho escolar.
