Valores e conceitos: a pedagogia do esporte na formação humana

ONGs em Ação
Compartilhar
Foto-1
Divulgação

No mês em que a Copa se inicia, entendemos o papel que o esporte pode assumir na vida de um adulto. Porém, quando aplicado em crianças, durante a formação educacional, a atividade física é capaz de contribuir para o aprimoramento motor, equilíbrio emocional e fator ético com o objetivo de que ela se desenvolva para a vida juvenil e adulta.

Segundo o Ministério da Educação, a prática de esportes entre crianças e adolescentes é matéria obrigatória na grade curricular da Educação Básica no Brasil. Apesar de ser exigido apenas na fase escolar, o Ministério da Saúde reforça que o estímulo deve se iniciar desde antes da escola: até os dois anos, os bebês devem realizar o movimento corporal, como engatinhar e se manter de pé, a fim de terem consciência de seus membros. Dos 3 aos 5 anos, as crianças devem brincar com jogos interativos, coloridos e dinâmicos, que distraiam e estimulem a área cognitiva. A partir dos 6 anos, as crianças devem praticar pelo menos 60 minutos de atividade diária.

Para além da condição física e controle emocional, o esporte na idade de 6 a 17 anos assume papel de colocar em prática o desenvolvimento social do aluno. Num jogo em grupo, por exemplo, o estudante entende, mesmo que inconscientemente, a necessidade e importância de seguir regras, do trabalho em equipe, da empatia, da inclusão, da resiliência, e como lidar com sentimentos e sensações durante a partida.

O aluno desenvolve disciplina e assume responsabilidades para com o seu time e o time adversário durante a partida, além de poder explorar, experimentar e compreender seu próprio corpo, limites e potencialidades.

No quesito pedagógico, cada atividade deve ser pensada e estruturada de forma lúdica, participativa, colaborativa, descontraída e que estimule a imaginação. Nesse cenário, o professor tem papel fundamental na elaboração da proposta que será levada e validada pelos alunos, bem como na motivação e incentivo ao autoconhecimento e autoestima.

De acordo com a pesquisa qualitativa intitulada “O futebol infantil como ferramenta para o desenvolvimento socioemocional: competitividade, cooperação e aprendizagem lúdica na primeira infância”, publicada em 2025, a resiliência emocional foi a competência em que 40% dos entrevistados (de 4 e 5 anos de idade) destacaram melhoria. 26,7% perceberam avanços na abertura ao novo, enquanto 20% observaram um melhor engajamento com os outros e 13,3% notaram desenvolvimentos em autogestão.

Apesar do artigo 53 do Estatuto da Criança do Adolescente (ECA) garantir o Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer, a falta de estrutura básica, descontinuidade de programas, ausência de políticas públicas eficazes, deficiências na formação profissional dos professores e, principalmente, a desigualdade social, são desafios para colocar o esporte como um dos primeiros planos no processo de aprendizagem.

A atividade física é fundamental para o processo educativo e obrigatório para estimular aprendizagens, valores e atitudes fundamentais para a vida em sociedade. Um dos maiores eventos esportivos do mundo chegou e com ele, mais uma chance de promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

*Sonia de Almeida, Diretora Executiva da Afesu.

Sobre a Afesu

Fundada em 1963, a Afesu (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários) é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social de meninas e mulheres por meio da educação. Com cursos 100% gratuitos, voltados para beneficiárias de 7 a 25 anos, a instituição oferece formação integral, apoio escolar, qualificação profissional e desenvolvimento socioemocional e atua sempre sem conjunto a família da aluna.

Com unidades em regiões vulneráveis nas cidades de São Paulo — Jardim Taboão, Vila Missionária e Cotia —, a instituição já atendeu mais de 15 mil beneficiárias, impactando direta e indiretamente cerca de 60 mil pessoas.