Primeiro Fórum Moradia e Clima apresenta em Brasília caminhos para moradia segura de populações vulneráveis
ONGs em Ação
O I Fórum de Moradia e Clima reuniu no dia 11 de junho, em Brasília, representantes de diversos órgãos governamentais, da academia e da sociedade civil para debater a habitação de populações vulneráveis diante dos fenômenos decorrentes da crise climática. O encontro, promovido pela TETO Brasil e pelo Fundo FICA no Memorial Darcy Ribeiro, simboliza a necessidade urgente de ampliar a agenda setorial e de aproximar-se das políticas públicas nacionais.
Os debates foram além da simples identificação de soluções de habitação social de curto e longo prazo; buscaram enfatizar a urgência de implementação e integração prática para que os grupos historicamente marginalizados sejam priorizados diante da urgência posta pelas mudanças climáticas.
Na abertura do evento, Elkin Velásquez, representante do ONU-Habitat na América Latina, enfatizou que as comunidades mais vulneráveis já sofrem os impactos diretos das transformações ambientais. Para ele, o grande desafio global é promover a adaptação a partir da moradia. “Realizar o I Fórum Brasileiro de Moradia e Clima é um marco não só para o Brasil, mas para toda a América Latina, e foi conquistado sob a liderança de duas organizações da sociedade civil”, comemorou.
Tassiana Cunha Carvalho, Secretária Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, lembrou que eventos extremos não afetam apenas os territórios físicos, mas também comprometem direitos fundamentais e as condições básicas de vida. “A ausência de um endereço fixo impacta diretamente a vida das pessoas em situação de maior vulnerabilidade”, reforçou a secretária, ressaltando a importância estratégica da inclusão da população em situação de rua no desenho das novas políticas públicas.
Para Camila Jordan, Diretora de Relações Institucionais e Incidência da TETO Brasil, o Fórum cumpre o papel de pautar o debate público sob a ótica da população mais impactada. “Não dá para falar de clima sem falar de moradia. É para quem não tem acesso a um abrigo digno que a mudança climática e as desigualdades estruturais se encontram… e as soluções precisam ser construídas sempre a partir e com as pessoas que vivem na pele as consequências, em parceria com especialistas técnicos”, contextualizou.
Já Edite Vieira, representante da Comunidade City, enfatizou que o desafio do momento é transformar o acolhimento emergencial em uma ponte segura para a moradia definitiva. “As respostas habitacionais de emergência precisam estar conectadas a estratégias de longo prazo para garantir o direito à moradia”, defendeu.
Simone Gatti, Diretora-Presidente do Fundo FICA, reiterou que as populações que menos contribuíram para as mudanças do clima são, injustamente, as que mais sofrem os seus impactos, mas ressaltou o papel central da intersetorialidade. “A oferta de moradia é fundamental, mas não pode ser isolada para enfrentar a vulnerabilidade. A casa é apenas o primeiro passo; depois dela vêm os cuidados com a saúde, a segurança alimentar, a educação, o trabalho e a geração de renda para a reconstrução da autonomia.”
Para Marcelo Brasil, Gerente Nacional de Habitação de Interesse Social da CAIXA, “A locação social é uma ferramenta essencial para compor as alternativas de enfrentamento aos impactos das mudanças climáticas nas cidades. Ela oferece uma alternativa rápida e segura para famílias em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas expostas a áreas de risco, contribuindo para a proteção social e para a construção de cidades mais resilientes e inclusivas.”
O Fórum foi transmitido online, e pode ser assistido na íntegra pelo link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=K-aGw9mXq6I.
Veja a agenda completa de quem participou aqui: https://bit.ly/fbmc2026.
