Dia Mundial do Refugiado: acolhimento e proteção ajudam famílias a reconstruir projetos de vida no Brasil
Impacto das ONGs
Deixar para trás a própria casa, os laços construídos ao longo da vida e a segurança do cotidiano é uma realidade compartilhada por milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, esse cenário tem ganhado relevância crescente nos últimos anos, especialmente em razão da chegada de famílias venezuelanas em busca de proteção, estabilidade e oportunidades para recomeçar.
No Dia Mundial do Refugiado (20), a Aldeias Infantis SOS, organização global que lidera o maior movimento de cuidado do mundo, reforça a importância de garantir acolhimento humanizado e proteção integral para que essas famílias possam reconstruir seus projetos de vida com dignidade.
Dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) mostram que o Brasil concedeu o reconhecimento da condição de refugiado a cerca de 165 mil pessoas nos últimos cinco anos. Desse total, aproximadamente 148 mil são de origem venezuelana, consolidando o grupo como o principal contingente de refugiados acolhidos pelo país. Segundo o ACNUR (ONU), o Brasil tem sido uma importante rota de acolhimento para venezuelanos desde 2018.
O fenômeno migratório também tem impacto direto sobre a infância. De acordo com dados do Sistema do Comitê Nacional para os Refugiados (Sisconare) e do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), crianças e adolescentes representam 25% das entradas registradas no país, percentual que corresponde a um crescimento de 286% em relação a 2017.
Para Michele Mansor, gerente de Desenvolvimento Programático da Aldeias Infantis SOS, os números reforçam a necessidade de olhar para o fenômeno como um tema relacionado à proteção de crianças, adolescentes e famílias.
“Quando uma família é forçada a deixar seu país, ela perde redes de apoio, referências culturais e condições básicas de estabilidade. Garantir acolhimento, proteção e oportunidades de integração é fundamental para que essas pessoas consigam reconstruir suas vidas em um novo lugar e oferecer um futuro mais seguro para seus filhos”, afirma.
Essa realidade é vivida pela venezuelana Daniela Alejandra Centino Marcano, 28, que chegou ao Brasil em busca de melhores condições de vida para sua família. Mãe de uma criança que necessita de cuidados médicos especializados, ela encontrou no país a possibilidade de buscar tratamento para a filha e construir um futuro diferente para os filhos. Para tanto, obteve todo o apoio necessário da Aldeias Infantis SOS.
“Meu sonho aqui no Brasil é que meus filhos tenham uma vida melhor, uma casa para morar, boa alimentação, saúde e bem-estar. Na Venezuela, a situação econômica era muito difícil e não conseguíamos suprir todas as necessidades da família. Aqui encontramos todo o apoio de que necessitávamos e a oportunidade de recomeçar”, relata.
Outra história de reconstrução é a da venezuelana Karianyelis Karelis, 25. Após enfrentar incertezas e desafios durante sua jornada migratória, ela passou a enxergar novas possibilidades para o futuro. Hoje, sonha em abrir o próprio negócio na área da beleza e conquistar autonomia financeira.
“Se você cai, você tem que se levantar e seguir em frente, ser guerreira. Cheguei ao Brasil com muitos medos e dúvidas, mas também com muitos sonhos. Quero construir minha própria história aqui, abrir meu negócio e ajudar outras pessoas no futuro, da mesma forma que a Aldeias Infantis SOS me ajudou”, conta.
As duas famílias são acompanhadas pelo Brasil Sem Fronteiras, ação da Aldeias Infantis SOS no Brasil que integra o Cuidados Sem Fronteiras, programa regional da Organização que apoia famílias refugiadas e migrantes não só no país, como também no Peru e na Colômbia. Por aqui, o programa já beneficiou mais de 5 mil pessoas desde 2018, oferecendo suporte para acolhimento, fortalecimento familiar e integração social.
“O grande desafio é garantir condições para que o migrante possa reconstruir sua autonomia, fortalecer seus vínculos familiares e desenvolver um sentimento de pertencimento à nova comunidade”, afirma Michele.
