Inteligência Artificial: especialistas discutem impactos no terceiro setor e no mercado de trabalho

Impacto das ONGs
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“A IA é uma transformação que a gente não pode ter medo e que temos que usar a nosso favor. Mas para vencer esse medo, precisamos nos preparar”, disse Luís Fabiano Penteado, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Grupo Volkswagen

(Foto: Reprodução Instagram/@fundacaogrupovw)

*Por Lucas Neves

Evento em São Paulo debateu os impactos da inteligência artificial (IA) no mercado de trabalho e no terceiro setor brasileiro. Idealizado pela Fundação Grupo Volkswagen, a 9ª Jornada do Conhecimento aconteceu na última semana, reunindo representantes de organizações sociais, líderes empresariais e especialistas em tecnologia.

O encontro abordou diversas reflexões sobre a relação das IAs com a transformação das profissões e a necessidade de novas competências, além do papel da tecnologia na construção de oportunidades mais acessíveis no mercado de trabalho.

“A IA é uma transformação que a gente não pode ter medo e que temos que usar a nosso favor. Mas para vencer esse medo, precisamos nos preparar”, disse Luís Fabiano Penteado, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Grupo Volkswagen.

Segundo ele, o primeiro passo para estar preparado é o estudo e o conhecimento, algo que envolve a participação nos debates sobre o uso da IA, visando uma maior clareza sobre o poder de transformação dessa ferramenta. 

“Assim, nós — como indivíduos, sociedade e Estado — usaremos a IA da melhor forma para diminuir a desigualdade e transformá-la num instrumento que vai aumentar o impacto com inclusão, com diversidade e com ética e integridade”, acrescentou.

A perda da sensibilidade com o uso da IA

Pensando no trabalho de impacto social, é evidente que a empatia é uma virtude indispensável. Ao ser questionado sobre os riscos de perda de sensibilidade por parte do terceiro setor ao implementar a IA no seu cotidiano, Penteado afirmou que esta preocupação deve ser considerada.

“A nossa inteligência natural, nossos sentimentos e nossas sensações não serão substituídas pela IA. No entanto, precisamos estar muito vigilante, porque é muito tentador terceirizar o nosso pensamento e a capacidade de processamento mental para as inteligências artificiais.”

Nesse sentido, Penteado reforçou a importância de valorizarmos a ética, integridade e a humanidade, virtudes que não podem ser replicadas pelas IAs.

(Foto: Reprodução Instagram/@fundacaogrupovw)

Capacitando o terceiro setor para o uso de IA

A 9ª Jornada do Conhecimento contou com a mesa de debate “Inteligência Artificial no Terceiro Setor”, que abordou os desafios, oportunidades e gargalos do uso de IA entre organizações da sociedade civil (OSCs).

Para Célia Cruz, pesquisadora da Universidade de Oxford (Reino Unido) e uma das palestrantes da mesa, a capacitação das lideranças de projetos e negócios de impacto é crucial para que o uso da IA seja assertivo no setor. “Temos que pensar em, realmente, preparar as lideranças para entenderem os problemas complexos que existem no uso da inteligência artificial.”

Apesar do crescimento do uso de IA por parte do Terceiro Setor, Célia ainda avalia que a aplicação da ferramenta está majoritariamente vinculada às tarefas operacionais, uma vez que essa falta de capacitação impede que a tecnologia seja utilizada para solucionar problemas complexos.

“No ano passado eram 43% das ONGs que estavam usando IA. Agora, talvez esse número já chegue a 90%. Mas não estamos olhando para como é que fazemos capacitações realmente boas”, alertou a pesquisadora

Ainda pensando na IA como uma ferramenta capaz de ir além do operacional, Célia lembrou da necessidade do terceiro setor participar da discussão sobre a regulação da tecnologia. Segundo ela, as organizações sociais não estão inseridas nesse debate de modo efetivo. “A regulação está acontecendo e nós não estamos acompanhando, participando e nem discutindo”, lamentou.

O impacto da IA no mercado de trabalho

Além das mesas de debate, o encontro contou com a apresentação da pesquisa “IAí? Construindo oportunidades para todos no mercado de trabalho”, estudo que coleta e analisa dados da realidade brasileira para entender o impacto da Inteligência Artificial nas dinâmicas de emprego.

“A pesquisa é incrível porque mostra todos os riscos que temos com a IA, que vão gerar desemprego, principalmente no curto prazo”, comentou Célia. 

Conforme a pesquisadora, é fundamental se atentar a esse risco para mitigá-lo. “Como formamos pequenos empreendedores no uso da inteligência artificial? Como é que pressionamos o governo para fazer políticas que olhem para populações vulneráveis?”

Por fim, Célia lembrou também que já existe um plano brasileiro para o uso da Inteligência Artificial, o qual contempla as comunidades em situações de vulnerabilidade. “Mas ele não fala como que o governo apoiará as organizações da sociedade civil que trabalham com essas populações vulneráveis.”

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A Plataforma Conjunta lançou uma Inteligência Artificial (IA) voltada às Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Nomeada como Cora, a ferramenta foi criada para auxiliar as OSCs nos desafios de gestão e ajudá-las a encontrarem caminhos possíveis para o fortalecimento das suas atividades. 

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