No Sertão, a bola e o tatame ensinam disciplina antes de ensinar esporte

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Sertao
No semiárido da Bahia e do Piauí, o projeto do Instituto Água Viva (IAV) usa o futebol e as artes marciais para formação das crianças

Antes de ser sobre gol ou faixa, o Sertão Esportivo é sobre rotina. É sobre uma criança que troca a tarde ociosa por um treino, que aprende a respeitar um adversário, que descobre que disciplina também se aplica fora de campo. No semiárido da Bahia e do Piauí, o projeto do Instituto Água Viva (IAV) usa o futebol e as artes marciais como ponto de partida, e a formação humana como destino.

Em regiões de baixa renda e poucas oportunidades expõem crianças e adolescentes a riscos como o envolvimento com a criminalidade, o alcoolismo e o uso de drogas. O esporte, nesse cenário, não é lazer, é estrutura. Uma rotina de metas, horários e regras ocupa o espaço que, de outra forma, ficaria vazio.

Disciplina que se aprende no corpo

No tatame, a primeira lição não é o golpe, é o controle. No campo, antes da jogada, vem o entendimento do coletivo. “O esporte ensina algo que nenhuma palestra ensina, o corpo aprende a esperar, a respeitar a vez do outro, a lidar com a derrota sem desistir”, resume Felipe Abreu, gestor do pilar de esportes do Instituto Água Viva.

Essas competências, que são paciência, autocontrole, respeito à hierarquia e ao próximo, migram do treino para a sala de aula, para a casa, para a vida.
Atualmente, 1.500 crianças e adolescentes participam do Sertão Esportivo, sendo 450 nas turmas de artes marciais e os demais distribuídos nas equipes de futebol. O projeto também investe na aproximação entre pais e filhos dentro das bases, porque o IAV entende que nenhuma transformação esportiva se sustenta sem reconstruir, junto, a base familiar.

Quando o esporte multiplica talentos

Se há uma prova de que o Sertão Esportivo funciona, ela está nas próprias bases sociais do Instituto Água Viva. Parte dos monitores que hoje conduzem os treinos foi formada por projetos de esportes do instituto no passado. São jovens que um dia entraram em campo ou subiram no tatame pela primeira vez como alunos e que, anos depois, voltaram como referência para uma nova geração e, hoje, ensinam outros jovens.

É o caso de José Kaique Souza Paz e Jonas Gonçalves, ambos de Casa Nova (BA); de Lucas Kauan Gomes de Souza, também de Casa Nova; e de Klaive Teixeira dos Santos, de Lapão (BA). Cada um deles fez o trajeto completo, de aprendiz a educador. Para as crianças que chegam agora no Sertão Esportivo, eles não são só instrutores, são a prova de que o caminho percorrido por eles também pode ser percorrido por quem está começando.

Quem viabiliza o Sertão Esportivo

O Sertão Esportivo é realizado com recursos da Lei de Incentivo ao Esporte, em parceria com o Ministério do Esporte e o Governo Federal. O projeto soma ainda o apoio de empresas como Grupo Fortlev, BTG Pactual, Perfilados Rio Doce, Timenow, Extrafruti, Brasil Fibras, Atacado União, Enepol, Euroamerican e RDG Aços do Brasil, parcerias que sustentam, na prática, a continuidade do projeto no semiárido nordestino.

Serviço

O Sertão Esportivo atende gratuitamente 1.500 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, com foco em futebol, artes marciais e formação humana. O projeto é viabilizado pela Lei de Incentivo ao Esporte, com realização do Ministério do Esporte e Governo Federal.

Informações à imprensa

Para informações adicionais ou contatos de imprensa, o atendimento é realizado por Mariane Gagulich através do e-mail [email protected]