Especialista aponta mudança metodológica para enfrentar a crise da matemática no Brasil
Educação
Durante décadas, grande parte do ensino esteve centrada na obtenção da resposta correta. Hoje sabemos que desenvolver a capacidade de raciocinar, argumentar, representar e investigar matematicamente é tão importante quanto chegar ao resultado final”, afirma Jalman Lima, Gestor de Negócios Acadêmicos da CASIO Educação.
O cenário é refletido por dados recentes da educação brasileira. Segundo o PISA 2022, 65,1% dos estudantes brasileiros afirmam ter preocupação em reprovar em matemática. Ao mesmo tempo, indicadores nacionais mostram que uma parcela significativa dos alunos não
atinge os níveis esperados de aprendizagem na disciplina.
Os dados reforçam a análise: o PISA aponta que estudantes sob pressão por desempenho imediato tendem a direcionar seus recursos cognitivos ao controle do estresse, em detrimento do raciocínio, o que compromete tanto a qualidade das respostas quanto o engajamento com a disciplina a longo prazo.
O baixo desempenho em matemática não afeta apenas os resultados escolares. Estudos internacionais apontam que dificuldades persistentes na disciplina podem influenciar escolhas acadêmicas e profissionais, especialmente em áreas relacionadas à ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM). Além disso, a ansiedade matemática tende a reduzir a confiança dos estudantes para enfrentar situações que envolvem raciocínio quantitativo e resolução de problemas.
O que é ensino baseado em investigação?
O ensino investigativo propõe que os estudantes explorem problemas, formulem hipóteses, testem estratégias, comparem resultados e construam argumentos antes de chegar a uma resposta final. Nessa abordagem, o processo de resolução ganha protagonismo e o erro passa a ser compreendido como parte natural da aprendizagem. “Quando o estudante explica como pensou, quais caminhos tentou e por que escolheu determinada estratégia, ele desenvolve competências matemáticas muito mais duradouras do que quando apenas reproduz procedimentos”, explica Jalman.
O processo como caminho para a aprendizagem duradoura
A proposta da CASIO Educação parte de um princípio pedagógico central: o acerto consistente é consequência do entendimento, e não o contrário. Quando o estudante é incentivado a investigar os passos de resolução de um problema, ele revela como interpreta a situação e que estratégias mobiliza. É esse processo que sustenta uma aprendizagem capaz de ser transferida para contextos novos e desafios da vida contemporânea.
“A Matemática não se reduz à aplicação de fórmulas. Ela envolve a formulação de perguntas, a identificação de padrões e a construção de argumentos. Quando o professor desloca o foco do resultado para o raciocínio, ele passa a valorizar as diferentes formas de pensar dos estudantes e constrói um ambiente em que a matemática é compreendida como um processo”, explica Jalman. Nessa perspectiva, o erro deixa de ser um indicador de fracasso e passa a ser parte constitutiva da aprendizagem, o que contribui diretamente para reduzir a ansiedade matemática e tornar o ensino mais inclusivo.
A calculadora científica como instrumento de investigação
Nesse cenário, a tecnologia pode ser uma grande aliada. Quando utilizada com intencionalidade pedagógica, a calculadora científica deixa de ser apenas uma ferramenta de cálculo e passa a atuar como instrumento de investigação, permitindo que os estudantes testem hipóteses, identifiquem padrões e analisem resultados durante o próprio processo de aprendizagem.
Ela se torna uma ferramenta de exploração, permitindo observar regularidades, comparar resultados e organizar informações enquanto o conhecimento ainda está sendo construído. “Em vez de aparecer apenas ao final do processo, a calculadora pode participar ativamente da construção do saber. O aluno formula hipóteses, valida resultados e compreende estruturas matemáticas de forma mais profunda”, detalha o especialista.
A integração mais significativa, segundo Jalman, ocorre quando a tecnologia está inserida em uma sequência didática que envolve estimar, explorar, testar, verificar e interpretar.
“Nesse sentido, a calculadora deixa de ser um recurso de execução e passa a ser um instrumento de exploração”.
Em uma atividade sobre funções matemáticas, por exemplo, os estudantes podem utilizar a calculadora científica para testar diferentes valores, observar padrões e verificar como pequenas alterações influenciam o comportamento dos gráficos. Nesse contexto, a tecnologia não substitui o raciocínio; ela amplia as possibilidades de exploração e análise.
Ansiedade matemática e medo de errar
Especialistas apontam que ambientes excessivamente focados em desempenho e respostas imediatas tendem a aumentar a ansiedade matemática. Quando o erro é tratado apenas como fracasso, muitos estudantes passam a evitar desafios e reduzem seu engajamento com a disciplina.
Já em contextos investigativos, o erro pode ser utilizado como ponto de partida para novas descobertas e discussões, favorecendo uma relação mais positiva com a matemática.
Habilidades para além da sala de aula
O impacto de um ensino focado apenas na resposta não se restringe ao desempenho escolar.
A literatura aponta que habilidades de numeracia desenvolvidas na infância e adolescência estão associadas a melhores condições de inserção profissional, renda e qualidade de vida na fase adulta. Quando o ensino valoriza o processo investigativo, ele fortalece um conjunto amplo de competências: pensamento crítico, autonomia, persistência diante de desafios e capacidade de argumentação, que são habilidades fundamentais para lidar com problemas complexos em qualquer contexto.
A matemática continuará sendo uma competência essencial para a vida em sociedade, independentemente da profissão escolhida. Por isso, mais do que ensinar procedimentos, é fundamental desenvolver a capacidade de pensar matematicamente. Valorizar a investigação, a argumentação e a compreensão dos processos pode ser um caminho importante para enfrentar os desafios da aprendizagem matemática no Brasil”, conclui Jalman.
Sobre a CASIO Educação
(www.casioeducacao.com.br) – A CASIO Educação é a divisão da CASIO dedicada ao fortalecimento do ensino e da aprendizagem da matemática por meio de tecnologias educacionais que promovem raciocínio lógico, pensamento crítico e compreensão conceitual. Em parceria com professores e instituições de ensino, oferece recursos pedagógicos, conteúdos e formações alinhados à BNCC, integrando o uso de calculadoras científicas e gráficas a práticas que tornam o aprendizado mais significativo em sala de aula.
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