Por que o voluntariado corporativo virou diferencial para empresas e jovens profissionais?
Voluntariado

Por Daniel Grynberg
Durante muito tempo, quando se falava em voluntariado dentro das empresas, a imagem mais comum era a campanha do agasalho no inverno, a arrecadação de brinquedos no Dia das Crianças ou a ação de Natal para apoiar alguma instituição. São iniciativas importantes, mas o voluntariado corporativo cresceu para além desse calendário e hoje ocupa outro espaço nas empresas, com mais planejamento, continuidade e conexão com a estratégia social das organizações.
A agenda ESG ampliou o debate sobre responsabilidade corporativa e trouxe uma pergunta para o centro. Como um negócio contribui, de forma concreta, para o desenvolvimento das comunidades com as quais se relaciona?
O voluntariado corporativo surge como uma das possíveis respostas. Em 2024, o Brasil registrou 34 mil ações de voluntariado empresarial, segundo o Censo Brasileiro de Voluntariado Empresarial. Ao todo, essas iniciativas alcançaram 7,3 milhões de pessoas. O dado mostra uma disposição das empresas em transformar mobilização interna em presença social.
Essa virada também passa pelos colaboradores. Quando uma pessoa participa de uma mentoria ou de um projeto social, ela sai por algumas horas da lógica habitual da empresa e entra em contato com outras realidades. Essa vivência desenvolve escuta, empatia e colaboração, habilidades valorizadas no mercado e que conquistamos com vivência humana.
O próprio Censo mostra que 75,61% das empresas reconhecem o desenvolvimento de competências e habilidades dos colaboradores como um dos principais benefícios do voluntariado corporativo. Esse dado ajuda a entender por que a prática ganhou outra relevância. Ela gera impacto para a comunidade atendida e, ao mesmo tempo, forma profissionais mais preparados para lidar com pessoas e contextos diferentes.
Essa percepção começa a influenciar quem está entrando agora no mercado de trabalho. Estudantes e jovens profissionais sabem que um bom currículo vai além de diploma, curso e estágio. Experiências práticas, participação em projetos e envolvimento com causas também passaram a comunicar algo sobre o perfil de um candidato.
Para muitos jovens, o voluntariado aparece como uma oportunidade de desenvolver habilidades antes mesmo da primeira experiência formal. Em uma ação bem estruturada, é possível aprender a conduzir uma atividade, trabalhar em grupo e compreender melhor os desafios sociais do país.
É nesse ponto que o terceiro setor tem papel central. As organizações sociais conhecem os territórios e os desafios que aparecem na ponta. Elas ajudam a aproximar empresas e voluntários de necessidades concretas.
O investimento médio anual por empresa em voluntariado avançou 22% em 2024, reforçando que essa agenda está ganhando força. Mais recursos também exigem mais responsabilidade sobre a qualidade dos programas, com planejamento, escuta e mensuração.
No fim, as campanhas de agasalho, brinquedos e Natal seguem importantes, mas já não representam todo o potencial do voluntariado dentro das empresas. Quando bem estruturado, ele transforma a mobilização em compromisso, forma pessoas, fortalece projetos e aproxima o mundo corporativo dos desafios reais da sociedade.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
