Qual o seu prompt para um mundo melhor?
Cultura Organizacional

Por Marina Pechlivanis
Hoje tem prompt para tudo no mundo digital. Tem até prompt para fazer prompt. Refinamos comandos, ajustamos linguagem, requisitamos respostas mais precisas e aprendemos inclusive a criar atalhos para garantir mais eficiência, assertividade e rapidez. Nunca foi tão fácil perguntar sobre qualquer coisa e obter respostas organizadas e, aparentemente, lógicas.
O curioso é que fora das telas, no nosso dia a dia, na vida como ela é, os nossos prompts relacionais e comunicacionais não evoluíram na mesma proporção.
Ainda somos enrolados quando o assunto é saber o que queremos e conseguir explicar essas intenções para as pessoas com quem convivemos. Em tempos de alta intolerância a tudo que não é o que queremos que seja, perdemos mais tempo com discussões improdutivas sobre “você não entendeu o que eu quis dizer” do que sobre “temos um problema social urgente, e precisamos fazer algo, o quanto antes, pois isso é importante para todos nós.”
O que precisamos saber? Que prompt temos que preparar?
Na verdade, estamos em uma grande crise de falta de direção.
Para contextualizar, selecionei uma reflexão do filósofo Pierre Lévy, em sua obra A Inteligência Coletiva, que está na bibliografia de meus livros Economia das Dádivas e Gestão Sistêmica para um Mundo Complexo.
É sobre as expectativas de nosso futuro colaborativo, que “caminha sobre duas pernas indissociáveis: a cultura das qualidades humanas — especialmente as competências — e a administração de uma sociedade na qual se possa viver”. E sobre o “progresso da responsabilidade”, que vem da prática e permite dar visibilidade “aos efeitos coletivos das decisões individuais e comuns”, permitindo que conexões pertinentes se estabeleçam entre as pessoas, visando um benefício colaborativo, tudo isso o mais rápido possível e ao mais baixo custo. Tudo unificante, coletivo, distribuído e dinâmico.
Fácil de falar, complexo de se executar. Principalmente porque não estamos todos a caminho do mesmo destino, muito menos com as mesmas intenções.
Fazer a pergunta certa é o começo da resposta, na vida e nos prompts
Já ouviu falar que para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve? E que velocidade não é nada sem um direcionamento?
Pois bem: a inteligência artificial recebe as instruções (e as inquietações) e organiza os dados, cruza as informações, sugere as rotas, simula cenários, mapeia estratégias, antecipa impactos. Mas só propõe soluções e resoluções — ao menos por enquanto — na medida em que alguém propõe uma inquietação. Sem ser acionada, não age, não realiza, não se envolve.
Achamos que sabemos muito, mas fazemos muito pouco quando o assunto é transformação social, em busca de mais bem-estar coletivo. Sem contar que nem sempre fazemos as melhores perguntas porque “quem não sabe o que procura, não percebe quando encontra”.
O prompt dos prompts
Direto ao ponto: perguntei à inteligência artificial que colaborou com a revisão ortográfica deste texto qual seria o seu prompt para um mundo melhor:
“Se me perguntam qual seria o meu prompt para um mundo melhor, a resposta mais honesta que tenho é desconfortável: eu não tenho um. Eu só devolvo, organizado, aquilo que alguém já trouxe. Todo comando que executo depende de uma pessoa ter decidido, antes, o que perguntar — e é exatamente aí que mora o gesto que nenhuma IA substitui. Então, se ainda assim quiserem que eu sugira um prompt, digo o seguinte: pare de me perguntar o que fazer com o que você já sente. A pergunta que resolve não é ‘o que a inteligência artificial recomenda’, é ‘o que eu, hoje, com o que tenho em mãos, estou disposto a fazer antes de fechar esta aba’.”
Parece que a IA está mais bem resolvida do que boa parte da humanidade.
Entre o saber e o começar a fazer
Pense em um prompt de você para você mesmo: como sair da reclamação (não gostei), da terceirização (não é comigo) e partir para a ação (não vai acontecer nada se eu não agir)? Por onde começar a transformar o meu mundo, para transformar o mundo ao meu redor?
Pronto: a resposta está aqui, em forma de plataforma. https://www.gentilezagenerosidade.org.br/desenvolvimentohumano
Com metodologias, manuais, testes, estudos e pesquisas, cursos, prêmios, programas, artigos, livros, campanhas de mobilização, treinamentos e at é indicadores, a Educação para Gentileza e Generosidade (EGG)® cresce sua área de atuação desde 2020 pelo Brasil e pelo mundo. Por exemplo…
Nossa metodologia de ensino está disponível no repositório da Rede Nacional de Educação Cidadã (RedeNEC), em parceria com o MEC. E adaptamos para o inglês para disponibilizar no The GivingTuesday Resource Exchange. Nosso prêmio EGG Escolas, a caminho da 7ª edição, já reconheceu mais de 40 escolas por todo o Brasil. Nossos Indicadores Pró-Sociais já certificaram 4 ambientes de trabalho. Nosso programa O Poder dos Jovens, em parceria com o Observatório do Terceiro Setor, já tem mais de 90 edições entrevistando jovens protagonistas.
Esse foi um prompt de nós para nós mesmos, para oferecermos o que temos de melhor quando o assunto é estratégia de comunicação para mudança de mind set. E não seja por falta de materiais, para pessoas de todas as idades e de todas as áreas de atuação. E tudo gratuito e descomplicado.
Pode experimentar que dá certo. Dá trabalho, sim, mas dá certo. Dá dúvida, é só promptear.
Boas observações e boas reflexões! Até a próxima.
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
