Casa Ronald McDonald Brasil aposta no acolhimento familiar em tratamentos de saúde infantil

Direitos Humanos
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Casa Ronald McDonald Brasil defende o cuidado centrado na família, desenvolvendo programas que beneficiaram mais de 33 mil crianças e adolescentes em 2025

A primeira unidade do Brasil e da América Latina, localizada no Rio de Janeiro. (Imagem: Casa Ronald McDonald)

Por Lucas Neves

Os tratamentos de saúde infantojuvenis exigem cuidados especiais que vão além das questões clínicas. Para que o processo de recuperação seja eficiente e menos traumático, às crianças e adolescentes necessitam de uma estrutura de acolhimento que muitas vezes as suas famílias não podem oferecer. 

É a partir dessa premissa que a Casa Ronald McDonald Brasil pensa seus projetos, os quais impactaram diretamente a vida de mais de 33 mil crianças e adolescentes em diferentes regiões do país, apenas em 2025.

A trajetória de 26 anos da organização é pautada pelo cuidado, acolhimento e responsabilidade de estar ao lado de quem enfrenta as doenças que atingem os jovens brasileiros, sobretudo o câncer infantojuvenil.

Em entrevista ao Observatório do Terceiro Setor, Bianca Provedel, CEO na Casa Ronald McDonald Brasil, ressaltou o cuidado centrado na família como a grande ambição dos projetos realizados pela organização.

“Quando olhamos além da criança, enxergamos o contexto das necessidades das famílias e entendemos como a gente pode apoiá-las em diferentes esferas — desde a parte psicológica e psicossocial, até a orientação, o letramento e o acesso às informações”, comentou.

Entre as principais iniciativas, destacam-se as unidades do Programa Casa Ronald McDonald, que oferecem hospedagem, alimentação, transporte e apoio psicossocial para famílias que se deslocam para o tratamento dos seus filhos.

Bianca também apresentou o Programa Espaço da Família, o qual disponibiliza ambientes de acolhimento dentro ou próximo aos hospitais, para proporcionar descanso, suporte emocional e melhores condições para as famílias durante os períodos de internação.

Além disso, a Casa Ronald McDonald conta com outros projetos como o Programa Diagnóstico Precoce, voltado ao treinamento de profissionais de saúde, e o Programa Atenção Integral, que apoia projetos e instituições dedicados a melhorar a jornada de tratamento de crianças e adolescentes.

Bianca Provedel – CEO na Casa Ronald McDonald Brasil (Imagem: Divulgação)

Uma mudança focada no impacto

Em 2026, a organização passou por uma evolução estratégica para fortalecer sua identidade e ampliar a compreensão da sociedade sobre seu impacto e atuação, substituindo a palavra Instituto por Casa em seu nome oficial.

Conforme Bianca, a expectativa é que essa mudança reduza a visão corporativa da palavra “instituto” e torne mais evidente o seu papel enquanto organização da sociedade civil (OSCs), assim como o seu propósito de acolhimento. “Queremos deixar mais clara a nossa função e a nossa missão social, aproximando-se do que a gente faz e remetendo a casa, lar, cuidado e família.”

Além disso, o nome “casa” traz um simbolismo que é recorrentemente reforçado no cotidiano da organização, já que seus espaços servem como um lar efetivo para muitas crianças e adolescentes, durante períodos significativos.

Como exemplo, Bianca contou a história de uma pequena paciente oncológica que, por conta dos tratamentos realizados desde a primeira infância, passou mais tempo acolhida no ecossistema da Casa Ronald McDonald do que em sua própria residência. 

Visão estratégica de comunicação

Ainda ao falar sobre a identidade da Casa Ronald McDonald, Bianca salientou os desafios e dificuldades que as OSCs enfrentam ao se comunicarem, sobretudo as de pequeno e médio porte.

“Porque tem pouco investimento, falta de estrutura e a competitividade é enorme. As coisas são muito rápidas e efêmeras, então é difícil conseguir um espaço no tempo de alguém para atrair aquela atenção e, principalmente, conseguir construir uma reputação com consistência.”

Formada em jornalismo e atuante no terceiro setor há mais de 20 anos, Bianca finalizou aconselhando organizações pequenas que querem melhorar sua imagem e comunicação. Segundo ela, o caminho é escolher poucas mensagens e um ponto específico para focar, buscando trabalhar em profundidade neste tópico.

“Porque eu vejo muitas organizações querendo falar sobre tudo e a gente, às vezes, não consegue ter a consistência, o que acaba diluindo a percepção sobre o projeto”, concluiu.