Vigília em São Paulo reúne movimentos de apoio à Palestina

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Por Sueli Melo

Centenas de pessoas compareceram à Praça Cinquentenário de Israel, no Pacaembu, em São Paulo, na noite desta terça-feira, 15, para um ato de solidariedade ao povo palestino. Com velas acesas, intervenções de poesia, música, vídeo e oração, membros das comunidades árabe e muçulmana e simpatizantes da causa palestina prestaram homenagens aos mortos pelo bombardeio israelense contra a Faixa de Gaza.

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A iniciativa teve a intenção de chamar atenção sobre o que está acontecendo naquela região, que sofre bombardeios diários por Israel, como explica Helena Manfrinato, do Movimento Palestina para Tod@s (MOP@T), que organizou a vigília. “Estamos reivindicando os direitos humanos dos palestinos, seu status de cidadania. Eles vivem numa situação terrível. Eles não têm nenhum tipo de estrutura mais sólida que os proteja dos israelenses.”

O local escolhido para o ato também tem um significado importante, conforme ressalta Helena. “A praça é uma homenagem à criação do estado de Israel. E justamente a criação do estado de Israel significou a catástrofe para a população palestina. Eles foram perseguidos e expulsos. Então esse lugar é simbólico. É para marcar nossa posição e a importância de lembrarmos do sofrimento do povo palestino.”

Ataques aéreos mataram cinco palestinos – quatro crianças de uma mesma família, segundo autoridades, na madrugada desta quarta-feira, 16. Os bombardeios se intensificaram, após o registro de uma vítima israelense. Já são 204 palestinos, entre crianças, idosos, homens e mulheres, que perderam a vida, desde o inicio do conflito, no dia 12 de junho, depois que três jovens israelenses que haviam sido sequestrados foram encontrados mortos. A maioria das vítimas é civil, de acordo com a ONU.

Marcas da violência

Taisir Fattach, 52, é palestino e vive no Brasil há 24 anos. Contou ao Observatório do Terceiro Setor sobre as memórias de tortura sofrida, ainda na adolescência, quando foi preso pelos israelenses. Mais tarde, aos 25, participou do primeiro levante popular palestino contra a ocupação israelense. Ficou preso por oito meses e foi novamente torturado. “Tive um primo morto por um soldado israelense. Ele morreu no meu colo. Sempre ficam as lembranças. Disso nunca vou me esquecer.”

Para Taisir, que veio de Franco da Rocha com o filho para dar sua contribuição, a vigília tem grande valor simbólico. “Isso, infelizmente, não vai libertar os palestinos. Não vai parar os ataques israelenses contra Gaza. Mas é um evento louvável, eu apoio. Vim de longe só para participar. Para juntar os meus irmãos brasileiros, os amantes da liberdade, defensores da justiça e da causa palestina.”

O filho de Taisir, Akram Tayser Fattash, 20, nasceu no Brasil, mas é também cidadão palestino. Tem dupla cidadania e já visitou a região. Estudante de Medicina, ele quer um dia ajudar de alguma maneira o povo palestino. “Quando terminar meus estudos e começar a trabalhar, gostaria muito de ir para Gaza, oferecer ajuda para o meu povo. Ficaria muito feliz se pudesse ajudar”, disse o jovem.

Apoio das Mães de Maio

Entre os coletivos que apoiam a Palestina, está o Movimento Mães de Maio. Segundo a fundadora e coordenadora, Débora Maria da Silva, a dor de uma mãe é igual em qualquer lugar do mundo e por isso a adesão à causa. “A gente vê mães sofrendo com seus filhos sendo retirados de suas casas, sendo espancados, executados pelo exército de Israel. Não cabe na cabeça de uma mãe ver um filho sofrer. Os filhos da Palestina são filhos das Mães de Maio brasileiras. A dor é a mesma”, afirmou Débora, que teve o filho morto, pela PM paulista há oito anos.

Débora faz um paralelo entre a situação do povo brasileiro e a do palestino. Não há, segundo ela, diferenças entre os dois, quando se trata de liberdade e de opressão aos menos favorecidos. “Aderimos ao Movimento Palestina Livre porque também queremos ser livres. Nós não somos. A guerra é a mesma. É guerra contra pobre. É uma guerra fascista, pois um lado tem o armamento e outro não tem”, pontua.

Essa adesão ao povo palestino, acrescenta, é uma obrigação. “Israel é um estado que rouba as terras da Palestina e dá legitimidade à base do exercito. A mesma coisa é a periferia com a Polícia Militar no Brasil. Eles têm as armas, o poder de fogo. No Brasil se mata mais que em uma guerra”, critica.

Para ela, a mídia também tem sua parcela de culpa, pois não mostra o que realmente acontece. “Não há guerra se um lado está desarmado e outro preparado, mas sim um genocídio que temos que combater. Somos mães. Nós geramos a vida.”